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Lula denuncia “chantagem tarifária” dos EUA e presença militar no Caribe

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, denunciou a “chantagem tarifária” dos Estados Unidos ao Brasil e criticou a presença militar norte-americana no Caribe durante uma cimeira virtual do BRICS

Lusa

“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, disse o chefe de Estado brasileiro, de acordo com o discurso divulgado pela Presidência brasileira.

Segundo o chefe de Estado brasileiro, “a imposição de medidas extraterritoriais ameaça” as instituições brasileiras e restringe a “liberdade de fortalecer o comércio com países amigos”.

Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% a vários produtos brasileiros e ainda sanções a várias autoridades brasileiras, entre as quais o juiz Alexandre de Moraes, relator do processo contra o ex-Presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, que deverá ser concluído até sexta-feira.

Na declaração na reunião convocada pelo Brasil, e traduzida em inglês no canal oficial da Presidência sul-africana no YouTube, Lula da Silva criticou também a presença militar norte-americana no Caribe, afirmando que “a presença das forças armadas da maior potência mundial no mar do Caribe é um fator de tensão incompatível com a vocação de paz da região”.

Lula da Silva realçou que a América Latina e o Caribe são uma região de paz desde a assinatura, em 1968, do Tratado de Tlatelolco, que consagrou a proibição do uso de armas nucleares na região.

O chefe de Estado brasileiro aludia ao recente destacamento militar dos Estados Unidos no Caribe, que inclui oito navios militares com mísseis e um submarino de propulsão nuclear, em águas próximas à Venezuela.

As tensões aumentaram na semana passada após o ataque realizado pelas forças dos Estados Unidos contra uma lancha que supostamente havia partido da Venezuela com onze pessoas a bordo e que, segundo Washington, eram traficantes de drogas.

Na intervenção na cimeira virtual, Lula também exortou os BRICS a continuarem a defender o multilateralismo “com uma só voz” nos fóruns internacionais e, em especial, nas Nações Unidas.

“Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo. Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, disse.

O Presidente brasileiro pediu ainda o apoio dos BRICS aos esforços do Brasil para impulsionar a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, uma antiga aspiração do país sul-americano.

O BRICS é um grupo criado em 2009, atualmente composto por 11 economias emergentes e que funciona como um fórum de articulação e cooperação do Sul Global, centrado no desenvolvimento económico, político e social.

Além dos cinco fundadores – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, tem também como Estados-membros Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão.

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