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Lula reforça apelo ao voto evangélico. Um dos grupos decisivos da eleição continua em disputa

O Partido dos Trabalhadores divulgou uma carta dirigida aos evangélicos, um segmento central para as eleições presidenciais de outubro. A iniciativa surge num momento em que Lula e a direita disputam um eleitorado que tem sido maioritariamente conservador

Lusa

O Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, liderado pelo Presidente Lula da Silva, divulgou esta segunda-feira (8) uma carta dirigida ao eleitor evangélico, na qual defende uma política “ao serviço da vida”, a quatro meses das eleições presidenciais.

“Continuamos a acreditar num Brasil onde a fé caminhe a par da justiça, a política esteja ao serviço da vida, a democracia se fortaleça, a soberania nacional seja respeitada, a criação seja cuidada, a verdade prevaleça sobre a mentira e a esperança seja mais forte do que o medo”, afirma o PT no texto.

A formação progressista, que Luiz Inácio Lula da Silva fundou em 1980 com um grupo de sindicalistas, militantes e intelectuais de esquerda, divulgou a mensagem no final do IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília.

Com um tom marcadamente eleitoral, o partido reivindica que os governos de Lula (2003-2010 e a partir de 2023) e de Dilma Rousseff (2011-2016) “sempre respeitaram e reconheceram a importância e o papel da Igreja evangélica”.

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A carta expõe as linhas gerais do projeto de campanha de Lula e convida as diversas correntes evangélicas, em ascensão nas últimas décadas no Brasil, a “participar no debate público” eleitoral “com liberdade, responsabilidade, respeito e esperança”.

O eleitor evangélico, tradicionalmente conservador, defensor da família tradicional, contrário ao aborto e à legalização das drogas, é cada vez mais numeroso no Brasil.

Os fiéis destes movimentos cristãos protestantes representam cerca de 30% da população do país, de acordo com os últimos dados oficiais. O catolicismo está em declínio e encontra-se hoje em mínimos históricos, porém continua a ser a religião maioritária.

Estima-se, por outro lado, que, nas eleições de 2022, uma ampla maioria dos evangélicos apoiou o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, a cumprir uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O sucessor e filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro, aposta neste conjunto do eleitorado para se impor a Lula nas eleições de outubro. Ambos aparecem tecnicamente empatados face a uma eventual segunda volta, de acordo com as últimas sondagens.

Numa estratégia de captar a adesão deste eleitorado, na passada quinta-feira, o candidato presidencial do Partido Liberal (PL, extrema-direita) participou na Marcha para Jesus, que todos os anos reúne milhares de evangélicos em São Paulo.

Agora o PT publica uma carta motivada “pela fé, pela esperança e pelo compromisso com a construção de um Brasil mais justo, democrático, solidário e fraterno”, na qual inclui alguns versículos da Bíblia, mas rejeita “toda e qualquer tentativa de transformar a religião num instrumento de manipulação política”, numa referência velada à participação de Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus.

A missiva apresenta, por outro lado, as iniciativas do Governo de Lula na área social e sublinha que os candidatos do PT agirão “sempre de forma respeitosa e laica, defendendo a diversidade e a liberdade religiosa”.

“Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas”, afirma o partido, em resposta aos ataques do bolsonarismo, sublinhando ao mesmo tempo que “seguir Jesus Cristo significa cuidar da vida, promover a justiça, praticar a solidariedade e defender a dignidade de todas as pessoas”.

“Inspirados por esses valores, reafirmamos o nosso compromisso com a construção de um Brasil mais justo, solidário e inclusivo” e “manifestamos o nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado” por Lula, expressa finalmente o PT, defendendo a proteção da vida, mas deixando de fora qualquer referência ao aborto.

“Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois partilhamos o entendimento do próprio Presidente de que não se deve ‘tirar proveito político de algo sagrado'”, conclui a missiva ‘petista’.

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