O Presidente moçambicano disse hoje (3) que o Centro Cirúrgico Nacional, em construção no hospital de Maputo, vai reduzir os tratamentos médicos especializados no estrangeiro, que acarretam elevados custos para famílias e para o Estado, prometendo mais investimentos.
“Sabemos que ainda temos desafios importantes pela frente. Um deles é o acesso a cuidados cirúrgicos especializados e de elevada complexidade. Durante muitos anos, muitos cidadãos moçambicanos que necessitam de procedimentos cirúrgicos complexos foram obrigados a procurar tratamento fora do país, na África do Sul, em Portugal, na Índia, entre outros países, através de juntas médicas, com custos elevados para as famílias e para o Estado moçambicano”, admitiu Daniel Chapo.
O Chefe do Estado moçambicano falava hoje no Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária do país, durante o lançamento da primeira pedra para a construção do Centro Cirúrgico Nacional, financiado pela China, num valor de 42 milhões de dólares (36,4 milhões de euros).
“Não queremos que a doença obrigue um moçambicano a procurar no estrangeiro aquilo que o seu próprio país pode e deve oferecer. O Centro Cirúrgico Nacional nasce para mudar esta realidade. É precisamente para responder a este desafio que estamos aqui hoje”, acrescentou.
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O empreendimento vai compreender oito pisos, num espaço de dois hectares, e capacidade para 475 camas, das quais 19 na unidade de cuidados intensivos. A infraestrutura será composta ainda por bloco de internamento, bloco operatório, urgências, laboratórios, farmácia, áreas de armazenamento de medicamentos, refeitórios e um auditório com capacidade para 100 pessoas.
Contará ainda com um sistema próprio de abastecimento de água, combate a incêndios, estação de tratamento de resíduos hospitalares e um gerador de energia para emergências. A informação avançada no local indica igualmente que a fase de construção vai gerar empregos para cerca de 200 moçambicanos e terá uma duração de 24 meses.
O Chefe do Estado disse que esta infraestrutura consolida o direito constitucional à saúde e renova o compromisso do Estado moçambicano com a dignidade humana.
Chapo apontou que o centro é sinal de que “a saúde não é um privilégio”, defendendo que ninguém deve morrer por falta de recursos e que a saúde não deve ser encarada como uma despesa.
“O que queremos aqui dizer é que, para além de construir meros edifícios, estamos a construir confiança, esperança e soberania sanitária para os moçambicanos. É necessário referir que, quando um país desenvolve capacidade própria para tratar os seus cidadãos, reduzindo a dependência externa para procedimentos altamente especializados, fortalece, por um lado, o seu sistema de saúde e, por outro, a sua independência, capacidade científica e dignidade nacional”, declarou.
O Presidente disse ainda que o país dispõe de profissionais de saúde altamente qualificados, que passarão agora a contar com um centro cirúrgico equipado com tecnologia de última geração para colocar os seus conhecimentos ao serviço dos moçambicanos. Por isso, o Chefe do Estado prometeu continuar a investir na saúde, sobretudo na formação de especialistas.
“Queremos criar condições para que os nossos especialistas possam exercer a sua missão utilizando tecnologia moderna, conhecimento científico atualizado e um ambiente de trabalho compatível com as melhores práticas internacionais. Ao fazê-lo, estaremos igualmente a criar oportunidades para o desenvolvimento da investigação médica a nível nacional, da inovação clínica e da formação de futuras gerações de profissionais de saúde”, concluiu.