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Cinco meses depois, Trump continua sem saída para a guerra com o Irão. O que limita as opções da Casa Branca

Cinco meses após o início da guerra, Donald Trump continua sem encontrar uma solução para o conflito com o Irão. Enquanto os combates prosseguem, cresce a pressão política nos Estados Unidos e a instabilidade mantém-se no Golfo

AFP

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alcançou um importante avanço diplomático no Médio Oriente ao garantir um acordo para o desarmamento do movimento palestiniano Hamas. No entanto, continua sem encontrar uma saída para o conflito com o Irão, numa guerra que permanece sem solução à vista.

Cinco meses após o início do conflito, a margem de manobra de Trump parece cada vez mais reduzida, dando a impressão de ajustar a estratégia à medida que os acontecimentos evoluem.

“Vamos atacá-los com muita força, porque agora é a nossa vez”, declarou Trump na quarta-feira (29 de julho), referindo-se aos novos ataques previstos contra Teerão em resposta às ofensivas iranianas contra bases que acolhem forças norte-americanas na Jordânia.

O Presidente norte-americano demonstrou, assim, as limitações da estratégia seguida até agora, que procurava forçar a capitulação do Irão através de ataques aéreos. Com o conflito a alastrar do Iraque à Arábia Saudita e até ao Egito, Trump enfrenta um impasse.

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Na sexta-feira, reuniu os membros do seu gabinete na residência presidencial de Camp David, sem, contudo, indicar qualquer mudança de rumo na estratégia.

Trump mostrou-se recentemente irritado durante uma reunião na Casa Branca e “frustrado” com a escassez de opções para pôr termo à guerra, segundo a NBC News, que cita responsáveis norte-americanos não identificados. A evolução do conflito depende, em grande medida, das decisões de Teerão.

Desde que os Estados Unidos, em coordenação com Israel, lançaram ataques contra o Irão a 28 de fevereiro – operação que matou vários dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei -, os acontecimentos não evoluíram como Washington esperava.

Sem soluções rápidas

No início da guerra, Trump afirmou que a ofensiva duraria entre quatro e seis semanas e tinha como objetivo impedir o Irão de adquirir armas nucleares.

Embora a administração norte-americana sustente que alcançou objetivos militares importantes, como a destruição da marinha iraniana e o enfraquecimento das capacidades de mísseis balísticos, o conflito centra-se agora no controlo do Estreito de Ormuz, onde Teerão tem perturbado o tráfego marítimo através de ataques a navios.

Esta evolução parece ter apanhado Washington de surpresa. Um acordo alcançado a 17 de junho para suspender os combates já fracassou.

Desde então, as forças norte-americanas realizaram novos ataques contra alvos militares iranianos, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana respondeu com ataques a bases militares dos Estados Unidos e a aliados norte-americanos na região.

“É difícil perceber porque razão esta abordagem haveria de funcionar agora, quando falhou ao longo dos últimos cinco meses”, escreveu Richard Haass, antigo presidente do Conselho de Relações Externas, numa análise divulgada na sexta-feira.

Karen Young, investigadora sénior do Middle East Institute, considera que “o conflito ainda está numa fase inicial” e alerta que “é preciso preparar-nos para um período prolongado de instabilidade”.

“Este conflito não tem soluções rápidas, mesmo que ocorra uma mudança de regime, que poderá gerar ainda mais instabilidade na região”, afirmou esta semana aos jornalistas.

Segundo a especialista, este cenário tornou-se ainda mais preocupante depois de ataques contra a Arábia Saudita e outros Estados produtores de petróleo do Golfo terem enfraquecido esses países.

Guerra impopular

Nos Estados Unidos, a guerra continua a ser largamente impopular, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis, que penaliza os consumidores.

Uma média de sondagens compilada pelo analista político Nate Silver e atualizada na quinta-feira mostra que 58.3% dos norte-americanos se opõem ao conflito – um valor que tem aumentado de forma consistente desde março – enquanto 37.4% apoiam a intervenção militar.

A guerra surge também como um desafio político para Trump, numa altura em que faltam cerca de três meses para as eleições intercalares de novembro. Tradicionalmente, estas eleições são desfavoráveis ao partido que ocupa a Casa Branca e poderão colocar em risco as maiorias republicanas na Câmara dos Representantes e no Senado.

Alex Vatanka, também investigador sénior do Middle East Institute, resume a situação como “uma equação em que todos perdem”, na qual “nenhuma das partes está a beneficiar”.

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