Uma plataforma desenvolvida em Portugal promete dar um novo impulso ao combate aos incêndios rurais através da utilização de inteligência artificial (IA). O sistema, designado SIION, entrou em fase de testes e foi concebido para apoiar os comandantes operacionais na tomada de decisões, sugerindo a melhor forma de posicionar os recursos disponíveis à medida que um incêndio evolui.
O projeto, criado por João Santos, distingue-se dos sistemas tradicionais de previsão do comportamento do fogo por não se limitar a antecipar a propagação das chamas. A plataforma analisa grandes volumes de informação e transforma-os em recomendações operacionais dirigidas a quem coordena o combate no terreno.
“A grande mais-valia é conseguir comprimir decisões num curto espaço de tempo. Isto é uma ferramenta de Inteligência Artificial que analisa muitos dados, não digo em tempo real, mas quase, e o que humanamente seria quase impossível de decidir, agora a máquina consegue prever com algum grau de confiança”, explicou João Santos à agência Lusa.
Através do cruzamento de dados meteorológicos, características da vegetação, relevo, disponibilidade de meios e outros indicadores operacionais, o sistema procura indicar quais os recursos mais adequados para cada cenário e onde deverão ser colocados para aumentar a eficácia das operações.
O responsável compara a plataforma a um sistema de navegação para quem lidera o combate aos incêndios. “Basicamente, é o próximo nível dos sistemas de combate aos incêndios, um sistema de recomendação, em tempo real, do posicionamento dos recursos. É como se fosse um ‘GPS’ para comandantes.”
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Além de melhorar a gestão dos meios disponíveis, a tecnologia pretende aumentar a segurança dos operacionais, identificando antecipadamente zonas de maior risco.
“Queremos melhorar a eficiência de cada recurso, quando os recursos são escassos, antecipar zonas perigosas para bombeiros e perceber qual o recurso ideal para cada tipo de incêndio.”
A SIION conquistou recentemente o segundo lugar na final nacional do ClimateLaunchpad, competição internacional dedicada a projetos de inovação sustentável, realizada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto.
A plataforma está atualmente a ser testada em ambiente empresarial e os promotores esperam alargar a sua utilização a mais entidades e territórios entre o final deste ano e o início de 2027. Se os resultados confirmarem o potencial da tecnologia, o sistema poderá vir a integrar as ferramentas de apoio à decisão utilizadas pelas autoridades de proteção civil, contribuindo para uma resposta mais rápida, eficiente e segura aos incêndios rurais.