Início » Ministério Público de Macau investiga fraude eleitoral em Portugal

Ministério Público de Macau investiga fraude eleitoral em Portugal

O Ministério Público de Macau emitiu um comunicado em que indica estar a investigar um indivíduo acusado de violar a Lei Eleitoral Portuguesa, em resposta aos "recentes pedidos" de informação sobre o envolvimento de "uma responsável por uma associação de Macau"

Nelson Moura

O Ministério Público confirmou que recebeu “um pedido de cooperação judiciária do órgão judicial da República Portuguesa”, que diz respeito “a um caso criminal ligado às eleições para a Assembleia da República em Portugal, envolvendo um indivíduo acusado de violar a Lei Eleitoral Portuguesa em Macau”, pode ler-se no comunicado de imprensa do dia de hoje, em resposta aos “recentes pedidos de informações por parte dos meios de comunicação social (…) sobre o caso de uma responsável por uma associação de Macau, que se encontra a ser investigada pelo Ministério Público.”

“O Ministério Público está a proceder aos procedimentos necessários nos termos de lei, e a promover as diligências de investigação e de recolha de provas em conformidade com o pedido concreto do órgão judicial da parte portuguesa”, confirmam no comunicado.

No início de maio, o Partido Socialista (PS) apresentou uma queixa junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE) portuguesa, acusando a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) de interferir na votação por correio para as legislativas de 18 de maio.

“Foi reportada e observada a presença de indivíduos que se identificam como voluntários à porta de uma estação dos correios de Macau, abordando eleitores para indicar onde devem votar”, referiu-se na queixa, citada pelo Hoje Macau.

“Trata-se da mesma prática que ocorreu nas últimas eleições legislativas que decorreram em 2024 e que se verificou estar a ser conduzida por Rita Santos, figura proeminente da ATFPM e Conselheira das Comunidades Portuguesas”, acusou o PS.

Apesar de no comunicado não ser revelada a identidade do visado, o PLATAFORMA avançou em outubro do ano passado que o Ministério Público de Portugal estava a ter dificuldades para notificar Rita Santos relativamente à queixa por alegada fraude eleitoral, com fontes ligadas ao processo a indicar que as autoridades preparavam-se para notificar Rita Santos na esperada deslocação a Lisboa para participar na sessão plenária do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), em outubro de 2024.

No entanto, Rita Santos não compareceu e suspendeu o seu mandato como Conselheira das Comunidades Portuguesas pelo círculo eleitoral da China, Singapura, Tóquio, Seul e Banguecoque, para a qual foi eleita no final de 2023, pouco depois desta informação ter sido reportada.

Também o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) em Portugal iniciara uma investigação sobre “vistos falsos” solicitados em Cantão, que envolviam cidadãos chineses, querendo averiguar o papel de Rita Santos na agilização desses processos.

Na altura, Rita Santos justificou a suspensão do seu mandato com a necessidade de se concentrar nas eleições para a Assembleia Legislativa de Macau deste ano, previstas para 14 de setembro.  Rita Santos é candidata na lista de José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

O PLATAFORMA tentou contactar Rita Santos para comentar a investigação do Ministério Público, mas sem sucesso.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website