Começámos há 11 anos, por motivos óbvios: bilinguismo, plataforma lusófona, diversificação económica, integração regional… porque o futuro tinha chegado, estava à mão de semear, pedia adubo, rega e compromisso. Sentimos também a urgência de encontrar a nova identidade de ser português em Macau; no fundo, com interesse em ser bem mais que isso; vivendo essa qualidade como apenas uma das que compõem o ser híbrido, multifacetado e multicultural. Olhámos para o anunciado jogo sem fronteiras: àomén píngtái (澳門平台) – think local, act global. E porque o jornalismo nos define; é um compromisso que vem de longe, muito antes do PLATAFORMA, na companhia de quem continua a andar nisto – em Macau, e não só – viciados nessa estranha forma de ser, rara nos dias de hoje. Nesse campo, estamos – e estaremos – na luta global, que não depende só de nós, mas também do poder político, leitores e anunciantes. Queremos fazer melhor, procuramos incessantemente meios, know-how e atitude; nunca nos desviamos desse destino.
O mundo hoje é mais incerto do que era quando começámos. Nessa altura, eram mais estáveis as premissas; não só em Macau, como em todo o lado. Em rigor, muitas delas nem sequer se cumpriam; mas tinham sustento seguro na teoria, no molde civilizacional. Mesmo que, como nos ensina a História, estivesse muitas vezes mais longe da realidade do que as estórias que se contam, estava lá tudo no discurso; era mais fácil acreditar que a sua decantação seria incontornável. Talvez tenhamos mesmo mudado de ciclo; quiçá seja apenas circunstância da vida das nações, das instituições, das pessoas… é o que é. Certo é que aquilo que nos levou a lançar este projeto continua a ser o que nos leva a abraçar o destino; com as adaptações que a realidade exige, em face da dinâmica política, económica, social e cultural. A própria China repensa o seu lugar no mundo, e a forma como olha para a RAEM. Macau tem de encontrar o seu caminho, gerir a sua oportunidade, sejam quais forem as circunstâncias. Não fugimos a isso, nem faria sentido. Podemos é fazer tudo como sempre fizemos; no respeito pelos valores, critérios, e ambição que nos dão direito de acesso, dever de informar… e um renovado prazer de fazer parte da construção do que está para vir.
O PLATAFORMA é hoje uma marca reconhecida e respeitada. Para uma impossibilidade… não está mal. Mas tem de ser muito mais, fazer muito melhor; no fundo, como todos os projetos e visões que podem compor o que Macau tem de ser – ou diz que quer ser
Já estivemos mais perto do paraíso; também já estivemos mais perto do abismo. Cá estamos, na narrativa chinesa que eterniza Macau como um caso raro de resiliência e adaptação; com uma identidade única, e um papel na China e no mundo muito maior do que aquele que por vezes percebe – e raramente consegue cumprir; presos por uma pequenez que torna muito difícil ganhar asas. Mas também é verdade que tudo o que já fizemos é muito maior do que aquilo que se dizia possível; por isso, tem sabor infinito. Esse percurso, tantas vezes condenado, tantas vezes renascido – e sempre conseguido – é o maior de todos os estímulos.
O PLATAFORMA é hoje uma marca reconhecida e respeitada. Para uma impossibilidade… não está mal. Mas tem de ser muito mais, fazer muito melhor; no fundo, como todos os projetos e visões que podem compor o que Macau tem de ser – ou diz que quer ser. A consciência do que ainda não somos é muito importante; crucial para os passos seguintes. Temos todos de perceber que temos muito que fazer para lá chegar. O destino, esse, faz-se em conjunto. Cá estamos, conscientes, a abanar consciências.
* Diretor-Geral do PLATAFORMA