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Mercado local pressionado pela Tailândia

O avanço da Tailândia para a legalização dos casinos está a ser visto como um novo desafio estratégico para Macau. Especialistas alertam que mudança pode reconfigurar o panorama regional e expor ainda mais as limitações de Macau

Nelson Moura

A Tailândia está anos-luz à frente de Macau no que toca a turismo diversificado,” afirmou Niall Murray, presidente da Murray International em Macau. O consultor sublinhou que a forte dependência de Macau dos visitantes do interior da China contrasta com a ampla atratividade internacional da Tailândia: “A Tailândia pode perder um mercado e manter-se forte. Macau não”, disse durante um debate promovido pela Macau Business e pela Fundação Rui Cunha.

Com receitas turísticas superiores a 47 mil milhões de dólares americanos em 2024 (378,35 mil milhões de patacas)— sem casinos — e uma oferta de mais de 700 mil quartos de hotel, a Tailândia poderá rapidamente afirmar-se como uma das maiores jurisdições de jogo a nível mundial caso legalize o setor, advertiu Ben Lee, sócio-gerente da IGamiX.

Apesar dos esforços de diversificação avançados pelo Governo, Macau continua centrado no turismo de curta duração e no Jogo, apontou José I. Duarte, analista sénior da Macau Business. “A cidade ainda depende maioritariamente de visitantes chineses de um dia, e continua a oferecer pouco para estadias prolongadas,” afirmou.

O projeto de lei para a legalização do Jogo na Tailândia, passou pela primeira comissão parlamentar, mas aguarda ainda aprovação do Governo e debate no Parlamento. Segundo Rosalind Wade, CEO da Winna Media, embora o processo esteja a avançar, permanecem incertezas quanto ao calendário e às regras de operação.

Macau continuará a atrair apostadores chineses, mas a Tailândia será uma concorrência de outra dimensão,” afirmou Wade, lembrando que o apelo tailandês vai da Ásia ao Ocidente.

Apesar disso, subsistem dúvidas quanto à facilidade com que os turistas chineses poderão jogar legalmente na Tailândia, caso as restrições previstas se confirmem.

Operadores com presença internacional, como a Melco Resorts ou a Las Vegas Sands, são vistos como possíveis candidatos a futuras licenças tailandesas. A Tailândia admite emitir até cinco licenças, abrangendo Banguecoque e províncias como Phuket e Chiang Mai, de acordo com Ben Lee, sócio-gerente da IGamiX.

Se Macau não evoluir, corre o risco de ser ultrapassado,” avisou Niall Murray, acrescentando que a Tailândia é hoje mais resiliente e atrativa para estadias longas.

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