No fim de setembro, a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Associação de Bancos de Macau assinaram um acordo de cooperação, durante 2.ª Conferência de Cooperação entre os Bancos Comerciais de Macau e os Países de Língua Portuguesa – Fórum de Investimento da Grande Baía Guangdong-Hong-Kong-Macau.
No mesmo evento na RAEM a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) e o Banco Central do Brasil firmaram também um memorando de cooperação, com a AMCM também a renovar acordos com o Banco de Cabo Verde e o Banco de Moçambique.
Em comentários enviados recentemente ao PLATAFORMA, a ABBC realçou que o acordo teve múltiplos objetivos, nomeadamente, estimular a cooperação comercial, económica e financeira entre bancos comerciais da China e Brasil; estabelecer a troca de informações sobre projetos financeiros; e estimular a participação regular nos encontros do Fórum Macau de modo a promover o desenvolvimento da Plataforma de Cooperação Comercial entre China e Brasil.
Ao mesmo tempo, a ABBC indicou querer “participar de forma ativa nas atividades organizadas pelas associações, reforçando a comunicação multilateral; ampliar e auxiliar o uso do yuan nos países e regiões de língua portuguesa; e divulgar aos bancos associados o acordo, de modo a apoiar todas as partes em busca de oportunidades e explorar potenciais mercados, utilizando as vantagens das informações, talentos, produtos e canais”.
Negócios entre yuan e real a crescer
O corpo associativo ABBC inclui 120 instituições brasileiras, entre bancos e empresas financeiras, sendo das maiores entidades representativas do Sistema Financeiro Nacional do país.
Ao PLATAFORMA a ABBC apontou existirem dois benefícios principais desta maior cooperação financeira entre Macau e os PLP, nomeadamente “ampliar a cooperação com parceiros estratégicos chineses e reforçar as ações comerciais entre os envolvidos”.
Empresas que mantém negócios com a China passaram a realizar operações de câmbio diretamente em reais e yuan, garantindo maior segurança e rapidez
Os acordos vêm após as lideranças da China e do Brasil terem realçado a necessidade de haver um maior uso das moedas locais dos dois países, o yuan e real, em operações comerciais, de maneira a diminuir a dependência para com o dólar americano.

Em novembro do ano passado, o Brasil e China completaram a primeira operação comercial realizada somente com moedas locais dos dois países.
A transação envolveu a empresa Eldorado Brasil, que procedeu ao embarque de 43 contentores de celulose para a China, numa transação que recorreu pela primeira vez à conversão direta de yuan para real.
“Desde o segundo semestre do ano passado, quando o Brasil passou a ter um banco com acesso ao Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China, o uso da moeda chinesa nas transações entre empresas brasileiras e chinesas cresceu expressivamente,” diz a PLATAFORMA a direção da ABBC.
O SPIT, ou CIPS, é um sistema de pagamentos estabelecido pela China em 2015 visando aumentar o uso do yuan em transações internacionais, e como alternativa ao sistema.
No ano passado o Banco Bocom BBM tornou-se o primeiro banco brasileiro, e da América do Sul, a aderir ao sistema chinês. O banco é resultado da compra do BBM – antigo banco da Bahia, um dos mais antigos do país – pelo Bank of Communication, um dos cinco maiores bancos comerciais da China, tornando o Bocom BBM o maior banco chinês no Brasil.
“Com isso, empresas que mantém negócios com a China passaram a realizar operações de câmbio diretamente em reais e yuan, garantindo maior segurança e rapidez, com confirmação das transações em poucos minutos após o fechamento.”
Na altura do acordo o yuan era apenas a oitava moeda mais usada nas transações brasileiras, posição que realmente se alterou.
Segundo a associação de bancos brasileira, esse movimento resultou num salto no volume negociado no segundo semestre de 2023, de 803 milhões de dólares americanos para 3,67 mil milhões, tornando a moeda chinesa a quinta mais usada no mercado de câmbio spot no Brasil.
“A tendência é que essas operações de câmbio direto continuem a crescer, estimuladas pelo alto volume de transações comerciais e financeiras entre os dois países, o que também contribui para reduzir os custos para empresas e agentes financeiros,” descreveu a ABBC.
Em 2009, o gigante asiático superou os EUA como principal parceiro do Brasil no comércio global. De lá para cá, as exportações aos chineses cresceram 396 por cento, somando 104 mil milhões de dólares americanos no fim de 2023.