Esta é a primeira queda mensal, em 20 meses, desde o relaxamento das restrições nas fronteiras, em janeiro do ano passado; sendo a indústria da construção aquela que registou maior queda nos trabalhadores não residentes.
Samuel Tong, presidente do Instituto de Gestão de Macau, ressalva que a economia está a recuperar, bem como o mercado de trabalho. Contudo, incerteza em algumas indústrias diminui a vontade de expansão nas empresas, abrandando o recrutamento de recursos humanos. Por isso, defende, o Governo deve ajudar os residentes neste período de transformação e modernização, para melhorar a sua empregabilidade.
Menos 1.500 não residentes na construção
No final de Setembro, o número de autorizações emitidas para trabalhadores não residentes era de 210 mil, menos 1.219 que em agosto. No mesmo período, havia 182 mil empregados não residentes; menos 859 que no final do mês anterior. Como o número de trabalhadores não residentes diminuiu mais do que o número de autorizações de trabalho, a taxa de emprego aumentou ligeiramente, em termos mensais, para 86,7 por cento.
A construção registou a maior queda no número não residentes: menos 1.495, para 28 mil. A hoteleira e a restauração tiveram o maior aumento: mais 362, para 52 mil; novo máximo após a epidemia. Segue-se a educação, com um aumento mensal de 121 trabalhadores não residentes; para 3.593. Os setores grossista e retalhista registaram uma diminuição mensal de 43; para 21 mil, após vários meses com aumentos consecutivos.
Mais empregabilidade
A julgar pelo ambiente económico global, e pelos dados de emprego, a situação geral em Macau melhorou desde a abertura das fronteiriças, comenta Samuel Tong. Impulsionada pelo turismo integrado, a taxa de desemprego caiu para níveis mais baixos que antes da pandemia. No entanto, as projeções mais recentes tornam incerta a evolução económica, o que a reduz estratégias de expansão e abranda o recrutamento de recursos humanos. Entretanto, mudanças estruturais na economia alteram o perfil da mão de obra necessária. E se algumas indústrias mantêm uma procura crescente, outras reduzem a sua força laboral.
A diversificação, que inclui finanças modernas, saúde, alta tecnologia, etc; precisa de recrutar pessoal técnico especializado. Contudo, o retalho, por exemplo, enfrenta ajustamentos, devido a vários fatores como a deslocação do consumo para o outro lado da fronteira, redução dos gastos por parte dos turistas; e crescimento das compras online.
Algumas empresas recorreram a licenças sem vencimento – e despedimentos – para reduzir custos; outras contrataram trabalhadores locais a tempo parcial, flexibilizando a gestão de recursos humanos. Entretanto, os residentes continuam a rejeitar alguns empregos na hotelaria, como limpeza, ou lavagem de louça; pelo que aí é mais frequente recrutar não residentes.
Samuel Tong lembra que, embora a economia esteja em recuperação, como se observa pelo PIB, as mudanças estruturais em curso pedem recursos humanos diferentes, comparando com o período pré-pandémico. Por isso, alerta, os residentes precisam atualizar as suas habilitações para se adaptarem. O Governo, conclui, deve responder aos tempos de mudança ajudando os residentes a obterem qualificações profissionais, de modo melhorarem a sua empregabilidade e a expandirem o seu espaço de desenvolvimento.
Artigo publicado no âmbito da parceria com o Macau Daily News