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Mundo novo a 5 de novembro

Guilherme RegoGuilherme Rego*

Os eleitores norte-americanos vão às urnas no dia 5 de novembro para eleger o seu próximo Presidente. Quando estas eleições ainda se tratavam de uma desforra de 2020 – entre Biden e Trump – era seguro apostar no retorno dos republicanos ao poder. Porém, a desistência de Biden e consequente escolha pela sua vice-presidente, Kamala Harris, começou a baralhar as contas desde julho. Coloca-se agora a questão: será que Kamala conseguirá ser a primeira mulher presidente? Ou teremos novo mandato de Trump?

Olhando para aquilo que são as sondagens nacionais mais recentes, Kamala Harris está à frente de Trump por um ponto. Porém, tanto em 2016 como em 2020 subestimou-se o apoio a Trump. E a verdade é que depois do debate presidencial entre os dois candidatos, em agosto, no qual Kamala saiu vencedora, Trump conseguiu recuperar. Neste momento, a menos de uma semana das eleições, Trump ganha terreno, e ninguém é capaz de apontar um vencedor pela percentagem que os separa. O último comício de Trump foi em Nova Iorque, e é consensual nos meios de comunicação norte-americanos que não se esperava tamanha adesão num estado tipicamente democrata.

A fratura cultural e identitária nos Estados Unidos cresce com os discursos incendiários, e tudo indica que após as eleições essa separação consolidar-se-à

As sondagens nacionais não são de fiar, tendo em consideração o sistema eleitoral norte-americano. Apesar de Kamala estar à frente, quem verdadeiramente decide são os ‘swing states’ – estados que ora votam nos democratas, ora votam nos republicanos. E nesta eleição são sete, sendo que não havia tantos desde 2008, quando Barack Obama foi eleito. São estes Pensilvânia (com 19 votos), Carolina do Norte (16), Geórgia (16), Michigan (15), Arizona (11), Wisconsin (10) e Nevada (6). Entre os sete, Trump está à frente de Kamala em quatro. E, apesar de ser por apenas um ou dois pontos, as sondagens apontam uma vitória republicana nos três que mais votos representam: Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia.

As sondagens não apontam um claro vencedor, mas refletem uma nação claramente dividida. A comunicação dos candidatos – especialmente de Trump -, não mostra qualquer vontade de angariar eleitores do outro campo político nesta altura do campeonato. Há poucos valores partilhados entre as campanhas; é mais o que as separa do que o que as une. A fratura cultural e identitária nos Estados Unidos cresce com os discursos incendiários, e tudo indica que após as eleições essa separação consolidar-se-à. Olhando para aquilo que são as políticas estrangeiras dos candidatos, haverá um novo mundo a 5 de novembro. A nível nacional, este equilíbrio de ideais completamente distintas, onde apenas uma vai imperar, não trará nada de bom.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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