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“Ucrânia só mudará opinião sobre a China se esta ajudar a terminar o conflito”

Este sábado o conflito na Ucrânia discute-se à mesa da China e do Brasil. Os dois países elaboraram um plano para terminar o conflito e vão discuti-lo com 19 países convidados. Zelensky ainda torce o nariz, mas há quem diga que as palavras do líder ucraniano têm a China como destinatário.

Gonçalo Francisco

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou a iniciativa conjunta do Brasil e da China de apresentar uma proposta de paz para a guerra no seu país, referindo que não se trata de um plano concreto e que “esconde alguma coisa”. O PLATAFORMA foi então tentar perceber que plano é este e se as palavras do líder ucraniano têm algum destinatário, e a verdade é que os especialistas dizem que é a China o principal visado pelo Presidente.

Primeiro que tudo, o plano dos dois países foi anunciado em maio último, durante uma visita do assessor internacional do Presidente Lula da Silva, Celso Amorim, a Pequim, e foi assinado por Amorim e por Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China.

O documento assinado detalha seis pontos para a paz naquele país, invadido pela Rússia há mais de dois anos, entre eles a realização de uma conferência reconhecida tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia, a criação de zonas de segurança, um mecanismo para troca de prisioneiros, e a rejeição do uso de armas de destruição em massa no conflito e do ataque a centrais nucleares.

Este é o plano e Pequim e Brasília vão organizar uma reunião com 19 países para o discutir este sábado, depois da Assembleia-Geral da ONU em Nova Iorque.

“Não acredito que este seja um plano concreto, pois não vejo ações ou etapas específicas, apenas uma certa generalização de procedimentos. Uma generalização sempre esconde alguma coisa”, foram estas as palavras de Zelensky.

Então este é um plano que de plano não tem nada? Não, diz o professor de ciência política Felisbelo Luzerna, da Universidade de São Paulo.

“É um plano tal como muitos outros, tem boas ideias e outras que têm de ser discutidas, não só entre os países convidados a discuti-los, como também com a Ucrânia e a Rússia. O bom disto é que existe um plano, o que é um grande sinal e positivo”, começou por dizer o professor catedrático, antes de analisar concretamente o discurso de Zelensky.

“É um recado para a China, um pedido de ajuda a quem se dá bem com a Rússia. Dizer que esconde alguma coisa é dizer que pretendem estar presentes na discussão do plano e ter receio que o mesmo seja discutido com a Rússia, sem eles presentes. É assim que interpreto estas palavras, dado que quando foi mencionado o plano, inicialmente, o discurso não foi este, mas sim um discurso de otimismo por parte de Zelensky”, refere.

Saliente-se que já antes, contudo a União Europeia e os Estados Unidos já haviam criticado o plano sino-brasileiro por considerar que poderia premiar a Rússia.

“O que se falou na altura era que a Rússia poderia ficar com os territórios que anexou, mas penso que isso foram palavras vãs, tanto dos Estados Unidos como da União Europeia. Há um plano em cima da mesa e há que discuti-lo, sem medos, para não perpetuar esta greve. A Ucrânia ainda vê a China como aliada da Rússia e isso só mudará se realmente a China ajudar a terminar o conflito”, referiu, falando depois do papel dos EUA.

“Não deixa de ser irónico que para a semana, depois desta cimeira, Zelensky voe até aos Estados Unidos para falar com Joe Biden, são os EUA a passarem a palavra do que acham deste plano do Brasil e sobretudo da China. Há que trabalhar para solucionar o conflito e isso não se fará com tantos jogos de bastidores”, conclui.

Mais armas

Zelensky pretende apresentar a Biden durante a sua visita o seu plano de vitória, de acordo com notícias vindas da Ucrânia. E esse plano envolve…armas.
Durante a reunião, o ucraniano deverá pedir então mais munições e armas para as suas Forças Armadas, além de pretender reunir também com os dois candidatos à Presidência dos EUA: o republicano Donald Trump e a democrata Kamala Harris.
Refira-se que os ucranianos pressionam os seus aliados ocidentais há meses, mas os EUA e países como o Reino Unido hesitam em permitir que as suas armas sejam usadas contra alvos na Rússia.

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