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Aumento de quotas de atendimento no Regime Ambulatório

Leong Sun Iok, Federação das Associações dos Operários de Macau

Persiste a escassez de médicos públicos, enquanto a procura por cuidados de saúde aumenta – mais ainda com o envelhecimento da população. Os médicos da linha da frente enfrentam uma enorme pressão no trabalho, que além de impactar as suas vidas e saúde, pode também afetar a qualidade dos serviços prestados ao público. Perante a situação, Macau precisa de ser mais proativa na formação de talentos especializados e na alocação destes recursos.

É também necessário aumentar o número de lugares de atendimento ambulatório subsidiados na comunidade e promover a colaboração tripartida entre organizações de saúde públicas, privadas e sem fins lucrativos, a fim de alcançar um sistema de serviços mais equilibrado e eficiente.

Um número considerável de profissionais de saúde tem indicado que os centros de saúde e os departamentos de especialidade ambulatória enfrentam uma enorme pressão. A escassez de especialistas é tão grande que muitos têm de fazer horas extraordinárias. Em 2011, um relatório do Comissariado de Auditoria indicou que se esperava que mais de 120 especialistas médicos se reformassem entre 2020 e 2025, e que haveria uma onda de aposentadorias em 2026. Como demora cerca de sete anos para formar um especialista, o número de formandos não consegue acompanhar a procura.

Portanto, sugiro a otimização dos termos e condições nos contratos para atrair médicos especialistas. O Governo poderia usar como referência o plano de formação de pré-ingresso de médicos especialistas realizado com o Hospital da Universidade de Peking para expandir os canais de formação e aumentar o seu número. Além disso, mais de 150 licenciados em medicina vão estudar para fora de Macau. Os estágios em Macau também se concentram principalmente no sistema de saúde pública, com apenas 99 a 115 estágios organizados nos últimos dois anos. É insuficiente para atender à procura dos recém-licenciados e o Governo deve introduzir medidas que ajudem a aumentar o seu número.

Por outro lado, os Serviços de Saúde devem subsidiar organizações de saúde sem fins lucrativos para aumentar as quotas de atendimento ambulatório a determinados grupos específicos. De acordo com dados governamentais, registaram-se cerca de 5.74 milhões de atendimentos nas clínicas ambulatórias dos hospitais e centros de saúde em 2023. No mesmo ano, houve cerca de 807.000 atendimentos por parte organizações médicas sem fins lucrativos, com o Governo a subsidiar e a comprar esse serviço. Mesmo assim, muitas pessoas expressam preocupação com o preenchimento precoce dessas quotas, refletindo a crescente procura por serviços de saúde em Macau.

O ‘Plano de Ação para Macau Saudável’ aponta a direção da política de saúde de Macau nos próximos cinco anos, incluindo orientações políticas como ‘Mudar o paradigma’ e ‘Descentralizar recursos’. O objetivo é transferir as fronteiras de intervenção para a prevenção de doenças, bem como fortalecer a participação de organizações de saúde privadas na comunidade e promover a estreita cooperação entre especialidades hospitalares e cuidados de saúde comunitários.

Pedimos que o Governo reveja continuamente as necessidades de saúde da população no geral e dos idosos, otimize a alocação equilibrada de recursos de saúde e aumente a quota de serviços ambulatórias subsidiados na comunidade, dando prioridade à prevenção. Deste modo, os serviços de saúde estarão melhor preparados para servir como guardiões, prevenindo que doenças menores se tornem crónicas. Ao mesmo tempo, conseguem aliviar a pressão sentida na pública.

Federação das Associações dos Operários de Macau

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