Em causa está um monólogo transmitido no programa de humor, onde Kimmel sugeriu que Melania Trump tinha um “brilho de quem está à espera de ficar viúva”, comentário feito no contexto de uma sátira ao tradicional Jantar dos Correspondentes da Casa Branca. A frase provocou uma reação imediata de Donald Trump e da própria primeira-dama, que acusaram o humorista de promover linguagem violenta e exigiram a sua demissão pela ABC.
Na emissão seguinte, Kimmel respondeu em tom irónico às críticas, sublinhando que se tratava de uma piada inserida num registo satírico e não de uma declaração literal ou de incentivo a qualquer tipo de violência. O apresentador começou por ridicularizar o pedido público de afastamento, referindo a raridade de uma primeira-dama intervir diretamente para contestar um comediante de televisão.
Kimmel rejeitou também a leitura feita pela Casa Branca, insistindo que o seu comentário foi uma referência humorística à diferença de idades entre Donald e Melania Trump e ao tom habitual das interações públicas do casal. “Não foi um apelo à violência”, reforçou o apresentador, que afirmou ter sido consistentemente crítico da violência armada ao longo da sua carreira.
O humorista aproveitou ainda para inverter o foco da polémica, apontando para o que considera ser incoerência na reação da administração Trump. Nesse sentido, sugeriu que o debate sobre “retórica odiosa e violenta” deveria incluir também declarações do presidente norte-americano, referindo-se a episódios anteriores de linguagem política agressiva.
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“Talvez, antes de falar em retórica perigosa, seja útil começar por discutir isso com o seu marido”, afirmou Kimmel, dirigindo-se indiretamente a Melania Trump.
A Casa Branca, através da porta-voz Karoline Leavitt, já tinha condenado o segmento, acusando o apresentador de contribuir para um ambiente político tóxico e de ultrapassar os limites da comédia. Donald Trump voltou igualmente a pedir publicamente que a ABC tome medidas contra o humorista.
O episódio reabre um confronto antigo entre Jimmy Kimmel e o presidente norte-americano, marcado por sucessivas trocas de críticas desde o primeiro mandato de Trump e por tensões recorrentes entre o humor político do apresentador e a administração republicana.