O valor do ouro nunca foi tão alto. Uma boa notícia para os guardiões do nosso “tesouro”, uma vez que Portugal, apesar do seu reduzido peso populacional ou económico, tem a 13.ª maior reserva a nível mundial: 383 toneladas que, tendo em conta o recorde histórico batido pelo metal amarelo esta semana, valem mais de 28 mil milhões de euros (ou 2716 euros por habitante). Uma fortuna que está armazenada no Carregado e em Londres, sem utilidade aparente, desde que o euro substituiu o escudo e o país deixou de ter política monetária própria. Mas que continua a ser uma “almofada de segurança para situações de crise”, argumenta o economista Óscar Afonso, que rejeita a hipótese de venda.
A forte procura por parte de alguns bancos centrais (em particular o da China), o início da baixa das taxas de juro e as preocupações com a instabilidade económica e geopolítica, que desviaram os investidores para um porto seguro, são as explicações apontadas para a meteórica valorização do ouro. Com efeitos milionários para estados, como o português, que o compraram “barato” e ainda mantêm as arcas substancialmente cheias, para prevenir uma qualquer catástrofe, por improvável que possa parecer nesta altura (o fim do euro e o regresso do escudo, ou uma nova crise de dívida pública, por exemplo).
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