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Sistema de novos salvo-condutos arranca com grande adesão

O primeiro dia de aplicações para o novo salvo-conduto destinado a residentes permanentes não-chineses registou uma grande afluência. Tirando alguns soluços e dificuldades iniciais, residentes estão satisfeitos com a eficiência dos procedimentos e esperam que o novo salvo-conduto lhes permita maior mobilidade pessoal e de negócios no Interior da China

Nelson Moura

O primeiro dia de aplicações para o novo salvo-conduto destinado a residentes permanentes não-chineses começou com muito movimento na sede da China Travel Service, no Edifício Nam Kwong. Uma representante da empresa de viagens responsável pelo processo, disse que a empresa recebeu mais de 400 pedidos de marcações online para a emissão do salvo-conduto nos próximos 28 dias.

A maioria das marcações envolve residentes de nacionalidade portuguesa, representando 55% dos pedidos, seguida por residentes titulares de passaporte da Malásia, correspondente a 40% do total de pedidos. A agência disse ter tratado de cerca de 50 processos de residentes que entregaram a documentação, mas aceitou também pedidos de requerentes sem marcação online no local. “Para obter um passaporte não chinês, são necessários três coisas: bilhete de identidade, passaporte e certificado de dados pessoais. Com esses documentos, os interessados podem preencher o formulário online e marcar um horário para vir aqui”, indicou a vice-gerente geral do centro de emissão de documentos da China Travel Agency, Chan Kit Mei.

“Os números de espera são válidos por 28 dias e temos números suficientes, portanto os aplicantes podem reservar online a qualquer momento.”

Funcionários fluentes em vários idiomas, incluindo português e inglês, foram destacados para ajudar pessoas de diferentes nacionalidades com os procedimentos de emissão de documentos e serviços de consultoria. Yunji Katsube, secretário-geral da Câmara de Comércio Macau-Japão elogiou a rapidez do processo e espera que o novo documento lhe permita maior facilidade nas viagens de negócio a Hengqin. “Há muito interesse por parte de empresários japoneses em Hengqin e na Grande Baía. Atualmente, mesmo com visto para a China, tenho que esperar na fila de imigração e demora muito mais tempo. Com este salvo-conduto espero que a passagem fronteiriça seja mais fácil”, diz ao PLATAFORMA.

O residente permanente japonês descreve o processo de aplicação online como “muito fácil”, e só lamenta que a emissão do novo conduto cancele o anterior visto para o país e para o qual pagou cerca de 1.000 patacas.

O prazo de validade do salvo-conduto emitido pela autoridade de migração é de cinco anos, podendo o seu titular deslocar-se, múltiplas vezes, ao Interior da China dentro do prazo válido do documento, com uma estadia de até 90 dias por visita. Além do preenchimento de um formulário específico, os interessados têm que apresentar BIR de residente permanente, passaporte com validade superior a seis meses, e o certificado de dados pessoais – emitido pelos Serviços de Identificação de Macau (DSI). A primeira emissão do salvo-conduto tem um custo de 260 patacas.

Percalços iniciais

Alguns residentes indicaram ao PLATAFORMA ter tido dificuldades em fazer a marcação online no dia anterior, devido ao volume elevado de uso do sistema. No entanto, na generalidade, o processo correu suavemente. Catarina Baptista, uma residente permanente portuguesa, acredita que o novo documento vai-lhe permitir “atravessar a fronteira para viajar pela China e para fazer compras e estar com amigos” mais facilmente. Mesmo assim, decidiu esperar para ver como se desenrola o processo para depois considerar um pedido. A residente ainda goza de um visto de três anos com múltiplas entradas e, sabendo que este seria revogado, afirma “não ter pressa”.

Noel Antônio Saldanha, também residente permanente português, descreve o novo documento como importante para afirmar o estatuto dos residentes permanentes de Macau na China.

“Obter o salvo-conduto facilita a passagem das fronteiras e viagens ao Continente. Mais tarde, vamos perceber que outros benefícios também poderemos usufruir, tal como o acesso à obtenção da matrícula chinesa ou a possibilidade de abrir uma conta bancária na China”, diz.

Apesar do otimismo, e de um registo online “bastante fácil”, Noel não conseguiu obter o salvo-conduto desta vez. “O único problema com a minha aplicação foi a DSI não ter a minha nacionalidade no seu sistema. Agora tenho de ir lá dar a minha certidão de nascimento, esperar duas a três semanas, e fazer a candidatura outra vez.”

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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