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Alterações climáticas prolongam época do pólen e agravam alergias em milhões de europeus

A época do pólen está a tornar-se mais longa e mais intensa em grande parte da Europa, como resultado direto do aquecimento global. Um novo estudo revela que, desde a década de 1990, a temporada de polinização no Reino Unido e na Europa continental se estendeu entre uma e duas semanas, aumentando o impacto das alergias respiratórias sobre a população.

A análise integra a mais recente avaliação europeia sobre clima e saúde, publicada na revista científica The Lancet, e indica que árvores como a bétula, o amieiro e a oliveira iniciam hoje a libertação de pólen mais cedo do que há três décadas. O fenómeno está associado a temperaturas mais elevadas e a maiores concentrações de dióxido de carbono, que estimulam a produção de pólen pelas plantas.

Embora menos espetacular do que fenómenos extremos como incêndios ou cheias, o efeito é descrito pelos investigadores como altamente relevante do ponto de vista da saúde pública. “É um agravamento silencioso, mas que afeta o quotidiano de dezenas de milhões de pessoas”, explica Joacim Rocklöv, epidemiologista ambiental da Universidade de Heidelberg e um dos coordenadores do relatório.

Desde 2024, a severidade sazonal do pólen de bétula e amieiro aumentou entre 15% e 20% em várias regiões, incluindo o sul do Reino Unido, o norte de França, a Alemanha e zonas da Europa de Leste. Em paralelo, os cientistas alertam para a propagação de espécies invasoras, como a ambrósia, cujo pólen poderá tornar-se um novo problema de saúde em áreas onde até agora era residual.

Para especialistas independentes, o estudo confirma uma tendência já observada. As alergias ao pólen “são um risco crescente associado às alterações climáticas”, sublinha Katharina Bastl, investigadora da Universidade Médica de Viena, destacando, contudo, que os impactos variam consoante a região.

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O relatório vai além das alergias e traça um quadro mais amplo dos efeitos do aquecimento global na Europa. As mortes associadas ao calor aumentaram, em média, 52 por milhão de habitantes, enquanto os alertas de calor extremo quadruplicaram. O risco de transmissão de doenças como a dengue também mais do que triplicou nas últimas décadas. Além disso, quase mil regiões europeias registaram um aumento significativo da duração das secas estivais em comparação com o passado.

Os autores defendem uma resposta política urgente, centrada na adaptação urbana, na proteção dos grupos mais vulneráveis e na preparação dos sistemas de saúde. Recomendam ainda a reorientação dos subsídios aos combustíveis fósseis — que atingiram 444 mil milhões de euros em 2023 — para investimentos em energia limpa.

Segundo Cathryn Tonne, epidemiologista ambiental do Instituto de Saúde Global de Barcelona, a Europa ainda dispõe de margem para agir. “Redirecionar investimentos, melhorar a qualidade do ar e reforçar a resiliência dos sistemas de saúde pode salvar vidas a curto e a longo prazo”, afirma.

Apesar do cenário preocupante, o relatório identifica sinais positivos: as mortes atribuídas à poluição do transporte rodoviário caíram significativamente desde 2000, demonstrando que a redução do uso de combustíveis fósseis pode produzir benefícios rápidos e mensuráveis para a saúde pública europeia.

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