Analistas ouvidos pelo Macau Daily explicam que existe alguma urgência em reduzir os imóveis disponíveis no mercado. Habitações e espaços comerciais ainda à venda ultrapassaram 500 milhões de metros quadrados, segundo um estudo publicado em abril pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento E-house China, que analisou a situação de 100 cidades chinesas. Serão necessários mais de 26 meses para escoar o ‘stock’, ao ritmo atual de transações. Segundo o instituto, o período razoável para a liquidação deveria ser de cerca de 13 meses.
O excesso de propriedades à venda evidencia desequilíbrios no mercado. Analistas acreditam que o problema é temporário, desde que se acelere o ajuste simultâneo de políticas relativas à oferta e procura. A 17 de maio reduziram-se as taxas de juro e o valor mínimo de entrada para a compra de casa, estimulando-se assim a procura. O Banco Central chinês também financia a compra de propriedades de forma a convertê-las em habitação acessível. Segundo algumas notícias, a nova política para empréstimos hipotecários já foi implementada em mais de 80% das cidades chinesas.
Cao Jingjing, diretora-geral do departamento de pesquisa da China Index Academy, diz que nos últimos anos alguns governos provinciais adotam a prática de adquirir novas unidades habitacionais a promotores. O setor imobiliário acredita que uma medida importante destas novas políticas é o estabelecimento de uma “lista branca”: governos locais identificam projetos imobiliários falhados e entregam a lista a bancos estatais para concessão de empréstimos especiais – o que pode ir ao cerne da questão.
Cao Jingjing avisa que, após a reunião do Conselho de Estado, as novas medidas estarão em fase de estudo e preparação, levando levar algum tempo até que possam ser lançadas. No entanto, sugere, a declaração do Conselho indica que uma nova ronda de medidas estará para breve.
O investigador do Centro de Pesquisa de Políticas de Habitação do Instituto de Planeamento Urbano de Guangdong, Li Yujia, acredita que a política de redução de ‘stock’ visa acelerar a ocupação de casas em primeira e segunda mão, ao mesmo tempo que promove uma circulação positiva e estabiliza as expectativas do mercado. O investigador diz que o Estado pode criar um fundo de aquisição imobiliária, de modo a intensificar esforços de renovação urbana, demolição, reconstrução e aquisição.
As políticas introduzidas desde o início do ano começam já a ter resultados visíveis. Em Xangai, o número médio de transações diárias de propriedades comerciais em segunda mão chegou a 847, entre 28 de maio e 5 de junho – mais 43 por cento face à média diária em abril, segundo o Índice Central da China.
Cao Jingjing acredita que, se as políticas nas cidades de primeiro nível continuarem a ser ajustadas, espera-se a curto prazo que o mercado recupere gradualmente, até estabilizar a nível nacional.
Artigo publicado no âmbito da parceria com o Macau Daily News