A variação do índice global de preços da habitação em Macau desceu 11,6 por cento face a 2023, segundo a última publicação da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, que analisa a conjuntura do mercado entre fevereiro e abril. Em comparação com os primeiros três meses do ano, desceu apenas 2 por cento, mas a queda tem sido contínua, sendo raros os períodos de análise nos últimos anos em que o mercado imobiliário não sofreu variações negativas. De 2019 para 2024, a desvalorização é de 16,5 por cento, o que significa que as habitações adquiridas à entrada do período pandémico perderam quase um quinto do seu valor. Caso tenha comprado uma habitação no valor de 8 milhões de patacas entre abril de 2019, é bem possível que hoje valha apenas 6.7 milhões – uma perda de 1.3 milhões.
No último ano, a maior queda deu-se nas habitações da Península de Macau (12 por cento), sendo que na Taipa e Coloane a queda foi de 10 por cento. No geral, as habitações em construção sofreram mais ainda, com uma desvalorização anual de 13,3 por cento.
Transações aumentam

As transações de imóveis aumentaram 19 por cento no primeiro trimestre do ano, comparativamente ao ano passado. O valor das transações também, ao registar uma subida de 26,6 por cento. O crescimento surge também na sequência da isenção da cobrança do imposto do selo em 5 por cento na compra da segunda habitação.
Espera-se que o segundo trimestre do ano apresente ainda melhores resultados, depois de no mês de abril o Governo e Assembleia Legislativa terem concordado – numa medida votada em urgência – remover os impostos do selo especial, imposto do selo adicional e imposto do selo aplicados à aquisição de habitações, para promover a recuperação do mercado imobiliário.
Segundo Franco Liu, diretor-geral da Savills (Macau) Limited, essa medida atraiu investidores para o mercado local, permitindo que as transações a partir da segunda metade de abril aumentassem de 10 para 30 por cento, referiu ao jornal Ou Mun. A medida também permitiu que o preço por metro quadrado aumentasse 13,4 por cento, de acordo com o responsável. A curto prazo, espera que haja maior número de transações, mas que os preços permaneçam baixos, para permitir um regresso de investidores de Hong Kong e do Continente ao mercado local. Franco Liu justificou esta confiança com a maior probabilidade de o valor da taxa de juros nos Estados Unidos ser reduzido, o que vai tornar os créditos mais baratos na RAEM, devido à indexação indirecta da pataca ao dólar americano, e também devido à melhoria da economia de Macau.