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“Atração de talentos é uma solução de curto prazo”

José Alves, diretor da Faculdade de Gestão da Universidade Cidade de Macau, diz que o regime jurídico de atração de talentos em vigor tem “resultados limitados”. A longo prazo, a aposta deve passar por um “investimento na qualificação e retenção dos quadros locais”

Nelson Moura

Macau tem de promover o emprego na Grande Baía, ao mesmo tempo que tenta reter os seus talentos. Na semana passada, em declarações ao PLATAFORMA, o politólogo Sonny Lo salientou que o Governo tem de formular uma estratégia com base em estudos mais completos.

Sugeriu também uma “obrigação contratual” para quem recebe subsídios. Nesta, estaria estipulado um regresso a Macau, de forma a que pudessem, mais tarde, contribuir para o desenvolvimento local. Contudo, ressalvou que Macau também deveria procurar a reposição do talento enviado para a Grande Baía através do seu programa de atração de talentos, em vigor desde maio de 2023.

Debruçando-se sobre esta questão, José Alves considera que “ambos os objetivos não são mutuamente exclusivos e podem ambos existir”. Mas concorda que o Governo deve “definir indicadores e estratégias mais especificas para cada um deles, pois só assim podemos avaliar a performance destas politicas públicas”.

Mesmo assim, defende que o mais importante é migrar para uma economia baseada na “criação de valor”, pois “o desenvolvimento económico e social de Macau, incluindo diversificação, só acontecerá a longo prazo e será diretamente proporcional ao investimento em capital humano e conhecimento”.

O académico acredita que “uma economia de serviços, como Macau, não é sustentável e terá de evoluir para uma economia baseada no conhecimento com maior criação de valor”. E tal “depende do capital humano”.

Mas esse capital humano deve ser local, dado “o contexto da plataforma”. O responsável afirma que a atração de talentos “é uma solução de curto prazo e com resultados limitados, pois esses ditos talentos também são aliciados por cidades maiores na região, onde existe maior diversidade de carreiras profissionais”.

Alves ressalvou que Macau também deveria procurar a reposição do talento enviado para a Grande Baía através do seu programa de atração de talentos, em vigor desde maio de 2023.

Sendo assim, o maior investimento que pode ser feito passa pela “qualificação e retenção dos quadros locais que já cá estão e que têm de conhecer cada vez mais o contexto da plataforma Macau – isto é, a Grande Baía e os mercados internacionais estratégicos para Macau”.

Para concretizar esse objetivo, José Alves diz que o Governo “deve investir mais no ensino superior, exigir qualidade com parâmetros internacionais, e acelerar o fortalecimento das universidades de Macau”.

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