Trabalhos com procura mais elevada
A taxa de desemprego continuou a diminuir, segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O desemprego tem afetado mais os jovens, sendo que a grande maioria tem entre 25 e 34 anos. A população com ensino superior representa uma parte considerável dos desempregados – 4.500 licenciados não tinham emprego no terceiro trimestre do ano -, representando quase metade do total de desempregados (49%), em comparação com 42 por cento no mesmo período em 2019.
De acordo com profissionais de recursos humanos, as qualificações académicas não garantem emprego, já que o número de licenciados e mestres é elevado. Profissionais de indústrias de ponta, como os de engenharia e alta tecnologia, têm mais hipóteses de encontrar emprego, mas a competitividade entre pessoas com alto nível de formação está a diminuir em profissões generalizadas.
Para as PME, as habilitações académicas dos candidatos não são o mais importante. No início do ano enfrentavam escassez de mão de obra, mas a chegada gradual de trabalhadores não residentes teve um impacto nos salários dos residentes. Atualmente, custa apenas cerca de 7.000 patacas para contratar um funcionário não residente com curso superior, enquanto custa cerca de 10.000 a 12.000 patacas para contratar um trabalhador local licenciado. Tendo isto em conta, o salário é definitivamente um fator importante para as empresas quando estão a contratar.
Embora as PME estejam dispostas a empregar residentes, o salário oferecido, pouco acima de 10.000 patacas, não é aceitável para muitos jovens locais. Afinal, nas PME não há grande margem de progressão e, tendo em conta o custo de vida em Macau, depois das despesas, é muito difícil poupar. Muitos jovens já nem consideram comprar um apartamento. Começam também a optar por empregos bem remunerados nas indústrias de comércio ou jogo. Na indústria de retalho, por exemplo, o salário é dividido entre remuneração base e comissão, podendo atingir entre 20.000 a 30.000 patacas por mês. No entanto, várias PME ainda não recuperaram totalmente, e preferem esperar pelo próximo ano para expandir.
Trabalhadores não residentes
Em resposta à atual queda nos níveis salariais, muitos jovens locais têm como objetivo principal trabalhar na Função Pública. Outros jovens, de famílias mais abastadas, optaram por iniciar os seus próprios negócios ou tornarem-se “polivalentes”. Alguns têm a mentalidade de mudar para um emprego melhor assim que haja essa oportunidade.
No entanto, as PME estão mais preocupadas com a atitude dos seus funcionários. Alguns candidatos locais não são sérios o suficiente em relação ao seu emprego. Tal contrasta com a atitude dos não residentes, que valorizam mais a oportunidade de trabalhar em Macau. Por isso, muitas empresas inclinam-se para a contratação de não residentes.
Um profissional de recursos humanos diz que “em termos de salário e atitude no trabalho, os residentes dificilmente se podem comparar aos estrangeiros”. A pressão sobre a mão de obra diminuiu nos últimos meses, mas se os trabalhadores não residentes permanecerem nas suas posições, o impacto no emprego dos jovens locais será cada vez maior e, na prática, irá reduzir os seus salários.
O mesmo profissional sugere que os jovens corrijam a sua mentalidade e melhorem as suas habilitações. Ao mesmo tempo, aconselha a que sejam proativos num mercado laboral difícil e com poucas oportunidades, para garantir uma posição sólida no mercado.
Artigo publicado no âmbito da parceria com o Macau Daily News