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Malásia propõe à China um fundo monetário asiático para contrariar domínio do dólar

Lusa

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, disse hoje que a China está aberta à sua iniciativa para formar um “Fundo Monetário Asiático”, visando contrariar o domínio global do dólar norte-americano e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Numa intervenção no parlamento malaio, Anwar revelou que “nos negócios entre a Malásia e outros países devem ser utilizadas as respetivas moedas nacionais”, segundo declarações recolhidas pela agência estatal Bernama.

O primeiro-ministro malaio defendeu a ideia da constituição de um fundo asiático, durante um encontro em Pequim, na sexta-feira passada, com o presidente chinês, Xi Jinping, que “saudou” o início das conversações sobre esta iniciativa.

Anwar Ibrahim propôs também a constituição daquele fundo no Fórum Boao, a “Davos asiática”, que se realizou entre 28 e 31 de março, na ilha de Hainan, no extremo sul da China.

No fórum estiveram ainda o primeiro-ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, e a diretora do FMI, Kristalina Georgieva.

“Não há razão para a Malásia continuar a depender do dólar”, afirmou o primeiro-ministro malaio, acrescentando que o banco central da Malásia já está a trabalhar para permitir que a China e o seu país façam negócios usando as moedas da Malásia e da China.

No cargo desde novembro passado, Anwar, que também é ministro das Finanças, lembrou hoje que já havia aventado a possibilidade de criar um fundo regional em 1990, quando assumiu pela primeira vez essa pasta, mas a ideia não foi adiante porque o “dólar ainda era visto como uma moeda forte”.

“Mas, agora, com a força das economias da China, Japão e outras, acho que devemos discutir isso, e também o uso da nossa moeda”, enfatizou.

O relatório do Fórum Boao 2023, uma das principais conferências económicas internacionais da China, estimou que o crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) da Ásia deve ser de 4,5%, este ano. Aquele valor é um “destaque”, face à desaceleração da economia mundial, lê-se no relatório.

A China tem tentado internacionalizar a moeda chinesa, o yuan, desde 2009, visando reduzir a dependência do dólar em acordos comerciais e de investimento e desafiar o papel da moeda norte-americana como a principal moeda de reserva do mundo. Isto tornou-se mais urgente à medida que fricções políticas e uma prolongada guerra comercial e tecnológica entre Pequim e Washington resultaram na imposição de sanções contra várias entidades chinesas.

Pequim assinou acordos nesse sentido com o Brasil, Chile, Argentina, Arábia Saudita e Rússia, com os quais espera aumentar a participação do yuan no comércio mundial, calculada atualmente em cerca de 2%.

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