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Ho Iat Seng recebido em Portugal ao nível de Xi Jinping

Paulo Rego e Gonçalo Francisco

O Chefe do Executivo, em termos formais, será tratado em Lisboa ao nível das receções que seriam preparadas para um chefe de Estado, como o próprio Xi Jinping. Ou seja, bem acima das formalidades devidas ao líder de uma Região Autónoma Especial. Já em Bruxelas, onde se desloca no regresso a Macau, o contraste é evidente e a importância que lhe está a ser dada é bem menor

Ho Iat Seng vai ser recebido ao mais alto nível em Portugal. Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; primeiro-ministro, António Costa – primeira e terceira figuras do protocolo de Estado – estão já confirmados para a terceira semana de abril.

O PLATAFORMA, que na semana passada adiantou em exclusivo esta operação, entretanto apurou que está também em cima da mesa um encontro com o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva – segunda figura do Estado – embora nesta altura haja mais dificuldades em firmar uma data concreta para esse encontro, numa agenda já tão preenchida do Chefe do Executivo de Macau em Lisboa. Facto é que fontes ligadas ao processo garantem que estão a ser feitos todos os esforços para que Ho Iat Seng seja recebido pelas três maiores figuras do protocolo de Estado em Portugal.

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Uma honra tradicionalmente concedida apenas a chefes de Estado estrangeiros – e poucos. Seja como for, claramente uma agenda formal ao mais alto nível por parte de Portugal, que concede a Ho Iat Seng um tratamento bem acima do seu estatuto político.

Ho Iat Seng será recebido por Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Augusto Santos Silva (este último ainda por confirmar)

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, vai também receber Ho Iat Seng, embora neste caso esteja ainda por confirmar a data concreta, que terá de ser encaixada numa agenda que começa a tornar-se complicada nesta primeira deslocação do Chefe do Executivo fora da China.

PORTO VAI A JOGO

Entretanto, o PLATAFORMA confirmou que o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, está a envidar esforços para que Ho Iat Seng se desloque também à cidade do Porto. Uma operação para a qual o Palácio da Praia Grande já manifestou disponibilidade; e que não tem qualquer contravapor da parte do Governo português. Neste caso, ainda não foi possível ao nosso jornal confirmar detalhes sobre esta deslocação.

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Mas é um facto que Rui Moreira deu atenção especial à geminação do Porto com Macau, figura que raramente é explorada pelas cidades portuguesas. Relação, essa, que foi alimentada pelo governo de Chui Sai On, que foi ao Porto naquela que foi a última missão de um líder da RAEM em Portugal, com particular empenho nos anos seguintes por parte de Alexis Tam – primeiro como chefe de gabinete; depois como secretário para os Assuntos Sociais, Educação e Cultura do anterior Chefe do Executivo.

Esta agenda pesada, e especialmente relevante, que ainda não confirmada pelas autoridades da RAEM – nem de Portugal -, está a ser vista em Macau como um sinal político “fortíssimo” por parte do Governo de Macau – e da China – no sentido de retomar as relações diplomáticas com Portugal – e o próprio conceito de Macau como plataforma lusófona.

Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto

Mas também em Lisboa esta deslocação tem uma semiótica política excecional. Se é verdade que tradicionalmente é dada especial importância em Lisboa às missões diplomáticas de Macau, “esta é uma altura particular, dado o longo interregno nas relações diretas provocado pelo isolamento de Macau” durante os anos da política de Covid-zero, que coincidiram com o mandato de Ho Iat Seng.

“Esperamos que Macau e a China percebam o sinal que Lisboa está a dar”, e que tem “sobretudo a ver com um sinal de boa vontade e uma aposta no futuro; e não propriamente com o que se passou nos últimos tempos”, alerta fonte portuguesa conhecedora do processo nos bastidores do poder em Lisboa. E é também um facto, alerta outra fonte em Lisboa, que “esta é uma resposta clara de Portugal à relação que quer ter com Macau, numa altura em que o ambiente político na Europa e na sua Aliança Atlântica cria bloqueios” no que toca às relações com a China.

BRUXELAS BAIXA O NÍVEL

Prova dessa relação tensa com a China, mas também de uma interpretação menos relevante sobre o papel de Macau nas relações internacionais, é a dificuldade que Ho Iat Seng enfrenta em conseguir encontros ao mais alto nível na sua deslocação a Bruxelas, onde vai estar no regresso a Macau. Fonte ligada a esse processo adianta que “será praticamente impossível” que o Chefe do Executivo seja recebido pelo Presidente do Conselho, Charles Michel, ou mesmo pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Gertrud von der Leyen. O alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrel, é nesta altura a melhor hipótese em cima da mesa. Ainda assim à espera de confirmação.

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Por um lado, explicam ao PLATAFORMA, a União Europeia está longe de dar a Macau a importância que Portugal está disposto a dar; por outro, o foco de Bruxelas nesta região do mundo está claramente em Hong Kong; aliás, com uma agenda bem distante daquela que Pequim gostaria. Circunstância, essa, que também serve para Portugal demonstrar o “goodwill” com que parte para este novo ciclo das relações com Macau, marcado pela semiótica política com que a deslocação de Ho Iat Seng está a ser tratada.

AZÁFAMA EM MACAU

Embora abril (terceira semana) esteja ainda relativamente longe, percebe-se já o cuidado com que o Palácio da Praia Grande está a preparar esta operação. Toda ela está a ser dirigida diretamente pelo Gabinete do Chefe do Executivo, em ligação direta com o Gabinete de Comunicação Social (GCS), dada a importância reconhecida à repercussão mediática desta deslocação, não só em Macau e na China, mas também em Portugal. É aliás ao GCS que caberá o anúncio formal e a oficialização da agenda.

As relações entre a China/Macau e Portugal são um marco histórico na diplomacia internacional

O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, que tutela áreas especialmente relevantes no atual contexto, incluindo a promoção do investimento externo, e a promoção turística, terá um papel relevante na preparação desta missão.

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Embora não tenha sido possível apurar ainda em que moldes, espera-se também um papel específico por parte da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Ao Ieong U, nomeadamente no campo da educação e do ensino da língua portuguesa, outros pontos chaves da agenda de Ho Iat Seng.

Neste campo, o PLATAFORMA pode adiantar que está já previsto um encontro com estudantes em Lisboa, e outro com empresários portugueses, no sentido de promover; por um lado, o bilinguismo em Macau; por outro, a abertura ao investimento estrangeiro. Neste último caso, segundo foi possível apurar, haverá alguma distância entre as intenções com que um e outro lado vão abordar a questão.

Se do lado português a expectativa está onde sempre esteve; focada na captação de investimento chinês, vendo em Macau um papel de ponte, e lugar de mediação; desta vez Ho Iat Seng levará outro recado, que é o da importância do investimento português em Macau, já com os olhos postos na Grande Baía. É um tema relativamente novo em Portugal, mas no qual Macau pretende apostar; aliás, com forte apoio de Pequim para essa agenda.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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