Recentemente a Avenida Almeida Ribeiro, também conhecida com San Ma Lou, foi convertida numa zona pedonal como parte de uma iniciativa de passeio na mesma. O programa estava originalmente agendado para ser implementado durante o Natal e a véspera de Ano Novo, mas devido à pandemia, foi adiado para os primeiros três dias do Ano Novo Chinês. Beneficiando do relaxamento das políticas pandémicas, Macau recebeu um grande número de visitantes e o Ano Novo Chinês permitiu maximizar o tamanho das multidões.
A área pedonal desta iniciativa incluiu um trecho da Avenida de Almeida Ribeiro, entre a Rua do Guimarães e a Rua Central, com um comprimento de cerca de 450 metros.
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A área pedonal foi dividida em três secções principais: a secção “Momento Mágico”, situada entre a Rua do Guimarães e a Travessa do Matadouro, decorada com nuvens coloridas e projeções de luzes à noite.

A secção “Trilho na Floresta”, situada entre a Travessa do Matadouro e a Rua dos Mercadores, foi aleatoriamente pavimentada com vegetação artificial, para criar um ambiente descontraído de passeio pela cidade, e a secção “Oásis na Cidade”, situada entre a Rua dos Mercadores e o Largo do Senado, viu serem colocadas mesas e cadeiras com guarda-sol em forma de esplanada, para descanso dos pedestres. Com o intuito de celebrar a chegada do Ano do Coelho, ao longo da Avenida de Almeida Ribeiro, foram também colocadas várias esculturas de coelhos e diversas decorações suspensas e fixas de grande dimensão. No primeiro dia de evento, a avenida, que costuma ficar completamente congestionada com trânsito, tornou-se uma atração para os pedestres, não só dentro da rua em si, mas também dentro das redes sociais.
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Longas filas serpenteavam das barracas de comida na zona de pedestres, e segundo as autoridades, a iniciativa atraiu cerca 93 mil visitantes durante os três primeiros dias do período de férias entre 22 a 24 de janeiro.
RUA FECHADA, RUA ABERTA
“Hoje é provavelmente o dia mais movimentado da história da Av. Almeida Ribeiro!” Diz ao Plataforma a Sra. Chen, Presidente da Associação dos Profissionais da Arte do Chá de Macau. A residente conta que a sua casa de chá costumava fechar durante o Ano Novo Chinês, mas que este ano decidiu manter-se aberta especialmente para esta iniciativa. Mesmo com a necessidade de pagar extra aos seus empregados, a Sra Choi espera que a iniciativa tenha tornado a rua um pouco mais animada e mais próspera.
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Em comparação com as multidões a caminhar pelo meio da rua, as calçadas estavam relativamente vazias. Era o primeiro dia do ano novo e muitas lojas não estavam ainda abertas. No primeiro dia da iniciativa, a casa de chá colaborou com a app de entrega de comida “Aomi”, convidando duas ‘influencers’ digitais para uma transmissão em direto em traje chinês enquanto distribuíam vários brindes e realizavam uma série de ações promocionais. A comerciante destacou o grande número de pessoas que afluiu à Almeida Ribeiro, mas avisa que se concentravam em demasia no meio da via, o que obrigou o seu negócio a trabalhar muito para chamar a atenção dos peões.
“Por que não somos convidados pelas autoridades a participar na iniciativa? Se não somos convidados, não sabemos qual é o nosso papel,” conta a comerciante.

A Sra. Zhou, que opera uma loja de frutos-do-mar secos na avenida há mais de 20 anos, descreveu que a iniciativa correu melhor do que o esperado, mas avisou que as lojas só foram informadas do projeto após ter sido noticiado na imprensa. A comerciante local concorda que o projeto ajudará a atrair mais pessoas a longo prazo, mas não nota uma grande diferença a curto prazo no seu negócio. A Sra. Chen, uma comerciante que se especializou na venda de cigarros e bebidas alcoólicas para clientes da China continental, diz também que só soube da iniciativa após ler o jornal.
Diz achar a iniciativa vantajosa por trazer mais fluxo de pessoas, mas que não irá ajudar muito o seu negócio devido à diferença de segmentos de mercado.
UMA IDEIA BEM RECEBIDA
A resposta do público ao projeto foi positiva, e as multidões na Av. Almeida Ribeiro durante o Ano Novo Chinês foram, sem dúvida, uma injeção de ânimo para as autoridades. O Instituto Cultural, um dos departamentos por detrás da iniciativa, decidiu mesmo prolongar o projeto do 14 para o 15º dia do Ano Novo Chinês entre 4 a 5 de fevereiro. Seguindo o tema do Festival das Lanternas Chinesas, muitas lanternas foram também adicionadas como decoração festiva.
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O IC alargou ainda o horário de funcionamento da Casa de Penhores Tak Seng durante estes dois dias, disponibilizando gratuitamente visitas guiadas e bancas de souvenirs relacionados com o património imaterial de Macau. Estes dois dias extra continuaram a atrair muitos visitantes com multidões a dirigir-se à avenida após anoitecer. No meio da multidão que se juntou para o Festival das Lanternas, encontramos o Sr. Leung, que trouxe os seus filhos para o evento.

“Não há muitos lugares para ir em Macau. Esta zona é perto do distrito central e por isso tem muitas atrações por perto”. No entanto, Sam, que visitou a rua duas vezes durante estas iniciativas, confessou que à segunda vez já não haviam tantos elementos que o surpreendessem.
PARA SEMPRE?
A forte popularidade da iniciativa lançou também um debate, sobre se a avenida deveria ser convertida numa zona pedonal permanente.Quando questionada pela imprensa sobre esta opção recentemente, a Diretora do Instituto Cultural, Leong Wai Man, respondeu que uma análise geral será realizada após o evento, combinando as opiniões de departamentos como a Direção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego e da Polícia de Segurança Pública.
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A diretora sublinhou que se a iniciativa foi bem recebida pelo público e prosseguiu sem problemas, as autoridades iriam considerar repeti-la.No seu primeiro dia a iniciativa caiu num feriado, o que evitou que o fluxo do trânsito normal de comida para o trabalho ou para a escola tivesse sido muito afetado. Mas quando o plano foi realizado pela segunda vez, calhou num fim de semana normal, com o fecho dessas vias a causar um maior impacto ao tráfego.
A 4 de fevereiro a comunicação social local noticiou que durante a execução da iniciativa “Passeando pela Almeida Ribeiro”, a pressão sobre a rede viária envolvente aumentou consideravelmente.

Além do tráfego da área Praia Grande, o tráfego no Porto Interior também ficou praticamente paralisado. Várias linhas de autocarro foram desviadas, juntamente com o tráfego de carros particulares. Ànoite,otrânsitoestevequase parado entre a Ponte 16 até a Ponte Sai Van, e até motorizadas demoravam quase 20 minutos para passar pela avenida. Eva uma dona de casa, diz ao PLATAFORMA que de autocarro só é necessário passar por quatro paragens para ir do Patane à Praia Grande, mas que o trânsito era tal e as rotas alternativas de autocarro tão longas que caminhar era a opção mais “viável”.
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“Continuar a iniciativa não é uma má ideia. Os primeiros três dias do Ano Novo Chinês eram apenas para reuniões familiares, então havia menos pressão no trânsito. Mas quando chegamos ao Festival das Lanternas, que já é um fim de semana normal, as atividades diárias foram retomadas,” diz Eva. “Naquele dia tive que levar a minha filha para as aulas, [com a iniciativa] a tornar tudo mais inconveniente”.
Em comentários ao PLATAFORMA, o urbanista Rhino Lam sublinhou que durante os primeiros dias da iniciativa a DSAT desviou temporariamente 26 carreiras de autocarros, uma parte significativa da rede de autocarro em Macau. “Os três primeiros dias do ano novo são feriados, portanto, o impacto no transporte público não foi significativo. Se o programa for implementado com um período mais longo no futuro, alternativas ao sistema de transporte público deverão ser consideradas,” diz.

“A Almeida Ribeiro é uma das poucas estradas em Macau que não tem uma via alternativa. Se os veículos motorizados não passarem por lá, terão de fazer um desvio para A-Ma ou Sai Van antes de poderem regressar à Praça de Ferreira do Amaral, ou à Avenida do Infante D. Henrique”. Lam apontou que o que precisa de ser pensado agora é se existe uma alternativa futura a esta via.
“Na atual estratégia de desenvolvimento da cidade será mesmo necessário uma via principal que passa de este para o oeste da Península de Macau?”.
O urbanista destacou também que a comunidade deve analisar se a dependência da Av. Almeida Ribeiro é um hábito que possa ser alterado.
“Se a utilização da Av. Almeida Ribeiro para autocarros for apenas um hábito, por assim dizer, talvez hajam condições para estender ou transformar essa via numa zona pedonal permanente, com a redução do número de autocarros na avenida por um longo período de tempo”.