França investirá 170 milhões de dólares para converter excedente de vinho em álcool industrial

por Mei Mei Wong

A França planeja gastar milhões de euros para converter vinho em álcool industrial para produtos farmacêuticos e cosméticos, com o objetivo para drenar um enorme excedente — anunciou o Ministério da Agricultura. 

Segundo maior produtor mundial de vinho depois da Itália, a França é conhecida há muito tempo como uma nação de apaixonados por vinho. 

Os viticultores da região de Bordeaux, no sudoeste do país, reclamam, no entanto, que o excesso de superprodução e a queda no consumo doméstico de suas marcas mais acessíveis encheram suas adegas, deixando-os sem espaço para armazenar os frutos de sua próxima safra.

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Nesse contexto, o Ministério da Agricultura anunciou, na segunda-feira (6), que vai destinar até 160 milhões de euros (US$ 170 milhões) para a destilação desta bebida alcoólica para obter álcool industrial. 

Em Bordeaux, o viticultor Didier Cousiney afirmou que, distribuída por todo o setor, esse valor seria suficiente apenas para ajudar cada pequena empresa por alguns meses. 

Temos “24 meses atrasados em nossos armazéns”, disse ele. 

Os sindicatos agrários da região de Bordeaux, que protagonizaram vários protestos, querem uma indemnização em troca do “arranque da terra” de parte de seus vinhedos. Isso ajudaria a reduzir a produção e permitiria aos viticultores usar o espaço para outras atividades. 

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Cousiney e outros produtores estimam que pelo menos 15.000 hectares de vinhedos (uma superfície equivalente a 21.000 campos de futebol) precisam ser arrancados em toda a região para que a situação mude. Pedem uma indenização de 10.000 euros (US$ 10.720) por hectare. 

A última vez que o governo patrocinou a destilação foi em 2020, depois que os confinamentos no mundo todo pela pandemia da covid-19 causaram o fechamento de bares e restaurantes e a queda das exportações de vinho francês. 

Estima-se que cerca de meio milhão de pessoas trabalhem na indústria do vinho na França, de acordo com a Comissão Nacional Interprofissional do Vinho.

Se nada for feito, “tememos que entre 100.000 e 150.000 postos de trabalho se vejam ameaçados na próxima década”, advertiu em dezembro passado o chefe da comissão, Bernard Farges.

As vendas de vinho tinto nos supermercados franceses caíram 15% no ano passado, segundo a Associação Geral de Viticultura. Os vinhos branco e rosé foram os menos afetados, registrando quedas em torno de 3% e 4%. 

Jérôme Despey, viticultor e secretário-geral do sindicato agrícola FNSEA, disse que esta situação reflete uma tendência mais geral. Há 70 anos, os franceses bebiam uma média 130 litros de vinho por ano, mas hoje esse número caiu para cerca de 40 litros.

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