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Hotéis de Macau sofrem com aumentos de casos de Covid-19

Guilherme RegoGuilherme Rego

O relaxamento das medidas de prevenção pandémica em Macau e no Continente trabalham contra o setor hoteleiro. Uma série de cancelamentos para a próxima semana tornam impossível de prever se o futuro será risonho, ou se a reabertura traz mais estragos do que reparos, revela fonte de uma das operadoras ao PLATAFORMA. Considera-se o fecho de serviços hoteleiros, à medida que os funcionários dão positivo à Covid-19

O ramo hoteleiro não consegue prever o resultado do relaxamento das medidas de prevenção pandémica. Se por um lado as fronteiras entre Macau e o Continente foram relaxadas, a verdade é que o número crescente de infeções em ambos os lados deram origem a uma faca de dois gumes.

Fonte ligada a uma das operadoras revela ao PLATAFORMA que tem havido uma série de cancelamentos de reservas por parte de provenientes do Interior da China, devido à Covid-19.

O maior mercado da concessionária em questão trata-se de Guangdong. Desde o início da pandemia que representa acima de 60 por cento da ocupação hoteleira. Porém, a província chinesa conta com uma média diária acima dos mil casos por dia. Contava-se também com a recuperação do segundo maior mercado, o de Xangai, que desde março, devido aos sucessivos confinamentos, tinha “desaparecido”.

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Apesar da taxa de infeção da cidade estar próxima do zero, também daqui chegam pedidos de cancelamento.

Por outro lado, o crescente número de infeções a nível local também tem desfalcado a mão de obra do setor. “Ainda não é oficial, mas é possível que tenhamos de fechar restaurantes porque não temos funcionários suficientes para dar resposta. Vários deram positivo nos últimos dias, incluindo pessoal da receção e de limpeza”, conta ao PLATAFORMA.

Concluindo, afirma que não têm qualquer previsão dos resultados para as próximas duas semanas, nem como gerir a operação se o número de funcionários continuar a reduzir devido à infeção por Covid-19.

“Queremos negócio, mas estamos preocupados com o impacto que [as novas medidas em Macau e no Interior da China] vão ter na disponibilidade dos trabalhadores. Para não falar nos clientes que chegam infetados. Por agora estamos a ter muitos cancelamentos, e não conseguimos prever as próximas duas semanas. Não sabemos o que vai acontecer no Natal, não conseguimos prever de todo. É um pau de dois bicos”. Enquanto o setor hoteleiro tenta ajustar-se às novas medidas, outros ramos de atividade dão as boas vindas à nova fase. Para a economia da cidade, o levantamento das restrições é “muito bem-vindo”, afirma o presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU) à Lusa.

“Pode significar um maior fluxo de turistas, pode significar a recuperação dos negócios das pequenas e médias empresas, pode significar muita coisa para Macau, a recuperação da atividade económica e obviamente isso depois reflete na atividade dos bancos. É muito bem vindo esse regresso à normalidade”, conclui.

INFEÇÕES SÓ ATINGEM O PICO EM JANEIRO

O pior ainda está para vir, diz Alvis Lo, diretor dos Serviços de Saúde. “Estima-se que o número de casos confirmados atinja o seu pico daqui a três ou quatro semanas”. Macau entrou no dia 14 de dezembro numa nova “fase de transição”.

A atual taxa de vacinação descansa as autoridades.

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“A transmissibilidade da estirpe é elevada, mas fácil de recuperar após a infeção. Em Macau, a taxa de vacinação é superior a 90 por cento, pelo que existem condições para adaptar as medidas”, disse a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura ao anunciar as alterações. Na mesma conferência de imprensa, as autoridades avançaram que 50 a 80 por cento da população será infetada.

Uma das medidas introduzidas é a quarentena domiciliária para casos que não sejam considerados graves, em substituição da quarentena num estabelecimento designado.

As autoridades estimam que 90 por cento das pessoas poderão cumprir este modelo, enquanto o resto será apoiado por instalações hospitalares e hotéis locais.

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Neste momento, Macau tem 600 camas hospitalares e seis mil quartos em hotéis de observação médica – um número capaz de satisfazer as necessidades, afirmam. Além disso, há 106 médicos que receberam formação em cuidados intensivos e 89 enfermeiros. Quanto aos ventiladores, tem 139, com apenas cinco máquinas de pulmões artificiais. Entretanto, deixaram de contar os casos assintomáticos, à semelhança do Continente.

CRIANÇAS E IDOSOS PREOCUPAM

Mesmo assim, o rápido levantamento das restrições preocupa os membros da Assembleia Legislativa, particularmente a baixa taxa de vacinação entre idosos e crianças, advertindo que o sistema de saúde é limitado. Ainda esta semana houve mais uma vítima mortal, um homem de 80 anos. Por outro lado, a base científica das novas medidas é posta em causa.

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O deputado Pereira Coutinho afirma mesmo que as autoridades não se deram ao trabalho de explicar as decisões tomadas.

“Estas restrições foram implementadas sem que as autoridades competentes se preocupassem em justificar perante a população a base científica para as suas decisões”.

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