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Travão nas excursões de Macau

Inês LeiInês Lei

Um novo surto estragou os planos da indústria turística, que aguardava com entusiasmo o regresso das excursões e dos vistos eletrónicos. Ron Lam, deputado local, acredita que a situação epidémica está controlada e que o impacto sobre o setor será mínimo. Mas as “excursões poderão não ser uma opção no futuro próximo”, confessa a presidente da Associação de Guias Turísticos de Macau. Em Guangzhou, uma profissional do turismo explica ao PLATAFORMA que a pandemia forçou o Continente a criar mais ofertas turísticas e essa realidade tornou Macau um destino “fora de moda”

A Direcção dos Serviços de Turismo anunciou a retoma das excursões em grupo e emissão de vistos eletrónicos entre finais de outubro e início de novembro. No entanto, um novo surto local, a 26 de outubro, veio estragar os planos da indústria. Wu Wai Fong, presidente da Associação de Guias Turísticos de Macau, confessa não ter conhecimento de futuras excursões na cidade.

A líder associativa diz ao PLATAFORMA que não sabe o próximo passo do Governo, seja na implementação de novas rondas de testes em massa ou de reforço dos mecanismos de controlo fronteiriço.

Mas, está certa de que o novo surto vai afetar a organização das excursões em Macau, visto que na China continental, nomeadamente na província de Guangdong, o surto não parece estar controlado. Como tal, acredita que as “excursões poderão não ser uma opção no futuro próximo”.

Sobre o impacto da pandemia na motivação da indústria, Wu Wai Fong afirma que é um problema de dimensão global.

“Com as repetidas ondas epidémicas, é difícil garantir que não voltará a surgir um surto. A única forma de lidar com o problema é assumir que o mesmo voltará a acontecer”.

A experiência anterior diz-nos que a situação ainda é bastante fácil de controlar, sem qualquer impacto sério sobre a indústria turística ou setores relacionados“, Ron Lam, membro da Assembleia Legislativa.

A presidente salienta que o Governo de Macau e a China continental têm comunicado de forma constante, com o possível encerramento das excursões caso haja um novo surto. Um mecanismo que considera “essencial para garantir a segurança dos turistas de ambas as regiões”.

Esta quarta-feira, as autoridades da cidade vizinha de Zhuhai detetaram mais dois casos de Covid-19, um dos quais com uma eventual ligação a Macau, e alargaram o confinamento, que se prolonga durante pelo menos sete dias, a uma segunda área da cidade.

A autarquia de Zhuhai já tinha imposto na terça-feira um confinamento e uma ronda de testes de ácido nucleico no distrito de Gongbei, onde se encontram as Portas do Cerco, a principal fronteira entre Macau e a China continental.

Leia também: Macau prepara segunda ronda de testes à Covid-19 a toda a população

A pandemia parece ter alterado todo o panorama turístico. Apesar do pedido de autorização de deslocação ser mais simples do que nunca, tal não significa que Macau possa regressar a este circuito turístico. Ao longo de três anos de pandemia, o ecossistema turístico e o mercado da região mudaram por completo. Chung, que trabalha na indústria turística de Guangzhou, admite que Macau já não é um destino muito atrativo para turistas do Continente.

É difícil de garantir que não voltará a surgir um surto. A única forma de lidar com o problema é assumir que o mesmo voltará a acontecer“, Wu Wai Fong, presidente da Associação de Guias Turísticos de Macau.

“De facto, desde o primeiro surto epidémico que a Grande Baía criou vários destinos turísticos, oferecendo aos visitantes da China continental mais opções, tanto em termos derestauração, como infraestruturas no geral”.

A mesma salienta que, em comparação com Macau, a China continental tem a vantagem de possuir mais espaço para criar todo o tipo de atrações, como por exemplo, a zona de Nanlang, com o seu campo de arroz, ou conceitos como campismo e viagens de caravana.

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“Agora, as viagens a Macau estão, de certa forma, fora de moda.”

Mesmo assim, admite que a cidade continua a ser atraente, especialmente devido aos seus hotéis. Ron Lam, membro da Assembleia Legislativa, diz que o impacto do mais recente surto sobre a indústria turística ainda não é totalmente visível, mas que a emissão dos vistos eletrónicos será afetada.

Macau ainda não registou uma propagação em massa do vírus entre a sua comunidade. Por isso, tudo depende do desenvolvimento da situação epidémica entre Zhuhai e Macau.

“A experiência anterior diz-nos que a situação ainda é bastante fácil de controlar, sem qualquer impacto sério sobre a indústria turística ou setores relacionados. Caso Macau implemente um controlo fronteiriço com a China continental, adotará uma posição passiva. Cabe apenas ao Governo fazer um bom trabalho, incluindo as medidas de controlo epidémicas acima mencionadas, acompanhando as atualizações feitas pelo Interior e aprendendo com a experiência do surto de 18 de junho. De momento, existem vários casos confirmados, com várias áreas vermelhas e grupos de risco, por isso a testagem universal é uma das principais medidas de segurança. Temporariamente, estas medidas continuarão efetivas na esperança de lidar com a situação de forma mais eficaz do que em junho”.

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