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Língua de Xi não se inventa

Paulo RegoPaulo Rego*

Há um grave problema na demonização da China. A verdade, é que os Estados Unidos reconquistam a submissão da Europa, vendem armas em todo o lado e o dólar dispara. Biden parte para a inevitável recessão, bem melhor do que Trump o deixara.

Mas nós, europeus, macaenses e chineses de Macau, que dependemos da recuperação económica, da reabertura das fronteiras, do respeito pela autonomia… queremos outras consequências. E está difícil.

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Vejamos o discurso de Xi Jinping:

A reunificação de Taiwan é incontornável, mas pelo diálogo. Interviremos só se declararem independência. Tradução em narrativa anglo-saxónica: “Ele vai invadir Taiwan!”

Onde é que leram isso?

Voltemos ao discurso: Não somos militaristas, defendemos a globalização, o comércio internacional, o investimento estrangeiro…

Conclusão da narrativa: “A China vai fechar, preferem matar a malta à fome, só para ter poder.”

A sério? Honestamente, não sei quem tem mais medo: se o povo do PCC; ou se o Partido de não conseguir alimentar o povo.

Voltemos à mensagem de Xi: Continua a política dinâmica de casos zero; mas é preciso um novo ciclo de crescimento económico; recuperando os mercados interno e externo.

Titula a BBC: “Covid zero; zero soluções”. Ok la!

Presumindo que sabem ler… as conclusões são escritas antes do discurso. E quando se questiona o racional, então vem o delírio:

“Ele diz isso, mas vai fazer o contrário.” Brilhante…

Entendamo-nos: a China enfrenta uma profunda crise económica; e um bloqueio a ocidente sem precedentes nas últimas décadas.

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O PCC não vai deixar de ser marxista-leninista; vai apertar o cinto ideológico e reprimir a contestação. Lamento – verdadeiramente. Não gosto desse mundo; mas vai acontecer.

Agora… a China está longe de ser o papão capaz de colonizar o ocidente. Vender esse fantasma é fazerem de nós idiotas. O busílis da questão é outro: será que os Estados Unidos entendem que a recuperação global inclui a China?

Ou preferem encurralar Pequim com medo de perder as rédeas da globalização? Ou seja, mandando tudo ao charco, incluindo a economia ocidental.

Traduzam lá isso e acusem-me de ser pró-China.

Finalmente acertam. Nesse campo, sou mesmo.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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