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China adia publicação de dados trimestrais do PIB

A China decidiu nesta segunda-feira (17) adiar, sem nova data, a publicação de seus dados do PIB para o terceiro trimestre, assim como de outros indicadores econômicos que deveriam ser divulgados esta semana.

A decisão foi anunciada um dia depois de o Partido Comunista da China (PCC) iniciar seu 20º Congresso, no qual o presidente Xi Jinping busca um terceiro mandato.

O Escritório Nacional de Estatísticas deveria apresentar na terça-feira (18) uma série de dados, entre eles o PIB para o terceiro trimestre. Muitos analistas estimam que será o desempenho mais fraco desde 2020, com a economia assolada pelas restrições anticovid e pela crise imobiliária.

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A agência anunciou inesperadamente que a publicação dos indicadores foi adiada, mas não ofereceu qualquer explicação para essa mudança incomum de última hora.

Este adiamento coincide com o 20º Congresso do Partido Comunista, no qual se espera que Xi Jinping obtenha um terceiro mandato à frente do partido e do país.

Zhao Chenxin, um alto funcionário da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse a repórteres nesta segunda-feira que “a economia se recuperou significativamente no terceiro trimestre” e que, “de uma perspectiva global, o desempenho da China continua excelente”.

Muitos analistas acreditam que a segunda economia mundial terá sérios problemas para alcançar seu objetivo de crescimento para este ano, em torno de 5,5%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu recentemente sua previsão de crescimento para a China em 3,2% para 2022 e 4,4% para 2023.

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Um grupo de especialistas consultados pela AFP na semana passada projetou que a economia crescerá 3% em 2022, longe da expansão de 8,1% de 2021.

Na semana passada, as autoridades alfandegárias adiaram a publicação dos dados comerciais de setembro, sem dar explicações. O Escritório Nacional de Estatística anunciou hoje que a divulgação dos indicadores imobiliários e das vendas varejistas também será adiada.

Impacto da covid

Nick Marro, da Economist Intelligence Unit, disse à AFP que as informações disponíveis apontam para um “número muito ruim” para o PIB no terceiro trimestre, “exatamente quando o Partido se concentra em destacar suas realizações”. 

Alicia García Herrero, economista-chefe da Natixis, acrescentou que “nada, nem mesmo a publicação dos dados do PIB, pode atrapalhar a coroação de Xi Jinping”.

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O atraso também “coloca a China em um beco sem saída”, porque, se o escritório de estatísticas acabar publicando “um número melhor do que o esperado, inevitavelmente terá de enfrentar questões sobre a veracidade” desses dados, comentou Nick Marro.

A economia chinesa foi atingida pela estrita política de “covid zero” do governo

Este país é a última das grandes economias a seguir essa estratégia, que envolve restrições de viagens, testes em massa da população e quarentenas obrigatórias. A China também enfrenta uma crise sem precedentes no setor imobiliário. Historicamente, este tem sido um dos motores do crescimento econômico e que, junto com a construção, representa em torno de 25% do PIB do país. 

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Após anos de crescimento robusto, graças ao acesso ao crédito fácil, a China lançou em 2020 uma campanha para conter o endividamento excessivo. 

Agora, os preços das casas estão em queda em todo país, deixando muitos construtores em dificuldades. Muitos proprietários se recusam a continuar pagando hipotecas de casas inacabadas.

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