Ministro da Defesa do Brasil insiste no voto em papel nas eleições presidenciais - Plataforma Media

Ministro da Defesa do Brasil insiste no voto em papel nas eleições presidenciais

O ministro da Defesa brasileiro, General Paulo Sergio Nogueira, insistiu novamente perante o Senado hoje que o voto impresso deveria ser utilizado nas próximas eleições de outubro, “em paralelo” com a votação com eletrónica.

A ideia foi defendida pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que aspira a renovar o seu mandato nessas eleições e está a liderar uma campanha para desacreditar as urnas eletrónicas, que têm sido utilizadas no país desde 1996 e não foram até agora objeto de uma única queixa de fraude. No entanto, o líder brasileiro argumenta que o sistema eletrónico é propício à fraude, afirma que esta até ocorreu nas eleições que ganhou em 2018, e propõe um regresso às urnas em papel, uma possibilidade que o próprio parlamento já rejeitou.

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Numa audiência com uma comissão do Senado, o ministro Nogueira insistiu neste ponto e sugeriu que, para garantir a transparência do processo, fossem instaladas urnas físicas ao lado das urnas eletrónicas, nas quais os eleitores poderiam também votar em papel.

A intenção, de acordo com o oficial militar, seria que os juízes das mesas de voto, uma vez terminadas as eleições, recontassem ambas as urnas, a fim de verificar que o resultado é realmente o mesmo.

“Não há interesse político”, mas apenas o desejo de “colaborar na melhoria” do processo, no qual as forças armadas fazem parte de uma comissão de supervisão que funciona no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), explicou o ministro.

Embora Nogueira tenha reiterado novamente a proposta de Bolsonaro perante uma comissão do Senado, o TSE já excluiu a adoção de boletins de voto em papel juntamente com a votação eletrónica em outubro, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de estudar a questão para futuras eleições.

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O TSE explicou que, ao abrigo da legislação atual, qualquer alteração teria de ser aprovada um ano antes das eleições e, além disso, assinalou que, de um ponto de vista logístico, já seria impossível preparar a estrutura necessária para uma tal votação em papel paralela.

Em todo o caso, Bolsonaro insiste na questão e disse mesmo que na próxima semana convidará um grupo de 75 embaixadores estrangeiros para os informar sobre os “fracassos” que, segundo ele, ocorreram nas duas últimas eleições presidenciais (2014 e 2018). Segundo o Presidente, nessa reunião ele apresentará “documentos”, que ele diz ter mas nunca entregou às autoridades ou apresentados em público, que provariam as irregularidades detetadas nas urnas eletrónicas.

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De acordo com todas as sondagens, a reeleição de Bolsonaro é uma luta difícil, já que até agora conta com cerca de 30% nas intenções de voto, contra os 45% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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