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25 de Abril: Cravos vermelhos na ponta das armas

Rui Ramos

Em Luanda começam a emergir grupos de jovens intelectuais nacionalistas que cortam com a lógica do poder colonial, grande parte dos quais são atirados para as cadeias e para os campos de concentração. O “Jornal de Angola”, órgão da Anangola, no seu primeiro número de 21 de Novembro de 1953, refere-se à “angolanidade”, ainda que de forma discreta, porque o poder não permitia veleidades “separatistas”

Tudo começou a 5 de Março de 1974, há 48 anos. Ou teria começado em 1961 no protesto de janeiro dos camponeses da Baixa de Kasanje, nos ataques nacionalistas de 4 de fevereiro e de 15 de março? A sociedade colonial convulsionava, o mito do  “preto fiel” começa a cair por terra, a greve de 1956 nas roças de café do Uíge, as revoltas do Seles e do Amboim de maio de 1917, dos Dembos de 1907-1908 chefiada por Cazuangongo, e muito antes, entre 1872-1873 a guerra dos Dembos, conflito ocorrido na região entre o rio Zenza e o rio Dande, região de intensa colonização portuguesa na época, do povo cokwe, do Bailundo de 1902-1904, do Kwanyama onde o seu rei morre em 6 de fevereiro de 1917, pondo fim à própria vida não aceitando o cativeiro, tinham sido reprimidas até ao extremo da quase extinção da cultura nacional tradicional. Sem esquecer, entre os anos de 1850 e 1880 as fugas colectivas de africanos nas grandes fazendas que tinham elevado número de escravos.

Em Luanda, começam a emergir grupos de jovens intelectuais nacionalistas que cortam com a lógica do poder colonial, grande parte dos quais são atirados para as cadeias e para os campos de concentração. O “Jornal de Angola”, órgão da Anangola, no seu primeiro número de 21 de Novembro de 1953, refere-se à “angolanidade”, ainda que de forma discreta, porque o poder não permitia veleidades “separatistas”. Sem esquecer a instalação dos maçons da Kudibeka, no ano 1872, que ramificaram de Luanda para a Catumbela e Benguela onde desenvolveram uma acção importante contra a presença colonial portuguesa com a sua organização União dos Defensores de Angola-UDA e o seu jornal “A Defeza de Angola” (1903).

Agora era a guerra, não uma batalha mas uma guerra e o mundo incomodava-se com a persistência do império colonial português. As Forças Armadas portuguesas eram enviadas para as frentes de guerra, Guiné, Angola e Moçambique, mas Timor Leste e Goa, Damão e Diu também tiravam o sono ao ditador Salazar.

Cada vez mais oficiais milicianos, muitos licenciados e com posições progressistas, chefiavam os contingentes militares coloniais. A “metrópole” estava exausta, cada vez mais famílias choravam os seus filhos. Daí à “africanização” das Forças Armadas portugueses em África foi um passo, Em Angola, em 1961, 14,9% dos efectivos do exército português eram recrutados localmente, valor que aumenta ao longo dos treze anos de guerra, até atingir os 42,4% em 1973, cerca de metade dos efectivos totais, ainda assim inferiores aos 53,6% de Moçambique, mas sempre controlados pela PIDE e pelos Serviços de Informação Militares, para cima de alferes eram a excepção, porque “os pretos não eram de confiar”. Portugal estava cansado das guerras africanas, a ONU não perdoava e lançou Portugal no inferno do isolamento mundial.

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