Um plano de contingência ‘quase perfeito’ em Macau - Plataforma Media

Um plano de contingência ‘quase perfeito’ em Macau

O hospital de campanha na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental será capaz de albergar mais de quatro mil camas. Lei Wai Seng, diretor dos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, referiu ainda que só serão recebidos neste complexo pacientes sem grandes necessidades médicas. O médico revelou também que as crianças infetadas podem ser acompanhadas pelos pais quando forem para isolamento e que o plano das autoridades está muito próximo da perfeição

O PLATAFORMA visitou na segunda-feira o novo hospital de campanha da Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental (Macau Dome), criado para combater a Covid-19 na eventualidade de um surto se alastrar na RAEM. Com espaço para mais de quatro mil camas, por enquanto acolhe apenas um simulacro com cerca de cinquenta, bem como zonas de observação, testagem e de primeiros socorros.

O espaço destina-se a pacientes infetados com a Covid-19, mas apenas para aqueles com “sintomas leves e que não precisam de uma grande necessidade médica”, segundo refere Lei Wai Seng. “Os casos mais graves serão encaminhados para o Centro Clínico de Saúde Pública, no Alto de Coloane, ou para o Centro Hospitalar Conde de São Januário. Esta sala fornece medicamentos, mas é um pavilhão temporário. No entanto, se houver um surto, iremos melhorar o nosso plano”, sublinha.

Lei Wai Seng, diretor dos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário

O médico revela ainda que se houver menores infetados com o vírus, “exigimos que os pais acompanhem as crianças”. “Antes, tivemos um caso de um menor que testou positivo e pedimos o acompanhamento dos pais. Sabemos que os profissionais de saúde podem providenciar cuidado, mas não se compara à presença dos pais”, esclarece.

Há também a possibilidade de as pessoas assintomáticas fazerem o isolamento em casa “se as instalações de isolamento e as condições não forem tão boas”, mas tudo depende do “estado de saúde ou do número de infetados”, especifica o mesmo responsável. Segundo o diretor dos serviços de urgência, este plano de contingência é “quase perfeito” e engloba vários aspetos, estando também longe das zonas residenciais. Lei Wai Seng refere que, no futuro, se este espaço não for suficiente, poderá vir a ser usado o “espaço do exterior do complexo, aumentando o número de camas disponíveis”.

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“Em 2020, já tínhamos pensado em transformar o pavilhão da Nave num hospital de campanha com 500 camas. Foi esse o nosso plano inicial, até porque nessa altura adquirimos estas portas (divisórias) constituídas por material de fácil limpeza. Esta zona irá ter camas, uma sala de tratamento e vamos introduzir outros serviços”, revela.

Lei Wai Seng concretiza que o pavilhão do Dome, onde se situa o simulacro, consegue ter “entre 350 e 400 camas, mais uma zona de diagnósticos”. O mesmo responsável diz que serão precisos cerca “de 20 médicos e 40 enfermeiros para uma primeira fase”, mas as autoridades têm em mão “um grupo do exterior para ajudar, se for necessário”.

“Queremos atacar cinco grandes frentes com o apoio de 15 equipas especializadas. Muitos trabalhadores dos serviços públicos farão parte destes 15 grupos. Contudo, somos capazes de pedir ainda apoio ao setor privado”, indica.

O responsável salienta que as pessoas que não precisam de ser internadas “terão um espaço de qualidade”. “Vamos ter uma sala de testes, uma sala de inspeção sanitária: com testagem, rastreio e médicos a receitar medicamentos; uma zona de observação em que os médicos avaliam os pacientes e depois distribuem-nos para as diferentes zonas do recinto mediante a gravidade dos sintomas”, especifica Lei Wai Seng.

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Haverá ainda uma zona específica para quem “precisar de assistência médica, como pessoas idosas ou acamadas”.

“Vamos ajustar a estratégia mediante as necessidades e aperfeiçoar o nosso plano de emergência. Temos instalações sanitárias ambulantes para satisfazer as necessidades dos internados. Além da zona das camas e de tratamento, temos uma zona verde, de testagem através de laboratórios insufláveis, como acontece em Hong Kong”, enfatiza.

O responsável clarifica que existe a possibilidade de requisitar a zona verde (ou zona B) para instalar laboratórios e aumentar a capacidade de testagem. “Haverá ainda laboratórios itinerantes móveis. A zona cinzenta, o pavilhão onde decorrem as eleições para o Chefe do Executivo, estará designada para os familiares dos infetados ou pessoas de contacto próximo, algo parecido com o que fizemos no Pac On. Após o teste, e se os pacientes testarem positivo, vão para a zona roxa (zona A), sem poder entrar na comunidade”, enaltece.

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