
Mais que obra de governos, ideologias e planos, a História é feita de impulsos e contradições. Quando crianças cantaram no Soweto a consciência negra de Biko, foram metralhadas… e o fim do apartheid começou; quando a Índia de Gandhi foi baleada…quebrou os rins ao colonialismo; quando a tropa portuguesa disparou contra a independência africana… implodiu o Império; quando a tropa indonésia dizimou Santa Cruz… ditou a libertação de Timor; quando Putin massacra a independência ucraniana… mata o imperialismo pós-soviético.
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A História repete-se – o Homem não aprende… Ocidente e oriente ignoram a consciência um do outro. Perigoso… Nas redes sociais torna-se viral uma paródia brilhante: Kim Jong-un pede calma, pergunta se está tudo louco. Revelador… de uma consciência coletiva que as elites esquecem. Macau – como Hong Kong – são dos exemplos mais dignos da História recente. Não foi preciso armas nem revoltas – a estupidez não teve lugar. Quando a China ditou o fim das possessões, Londres e Lisboa perceberam o momento- agiram em consciência. Todos se podem orgulhar dessa transição inteligente. Mas há uma História por contar, um futuro por fazer…e falta essa consciência.
O saudosismo britânico que Londres promoveu em Hong Kong acicatou o nacionalismo chinês o músculo de um regime que se queixa de ser acantonado pelo messianismo ocidental. A estória é diferente em Macau: não há sentimento antinacional – o problema é outro: o vazio da consciência. Que ideia Macau tem para si própria?
A integração na Grande Baía, o projeto lusófono, a diversificação económica… são ideias da China para Macau. Boas ideias, diga-se. Contudo, sem a força de uma consciência coletiva, que prescinde de existir – nem se rala com isso. O futuro é da China, já se sabe. Não é um mal em si – desde que haja uma boa ideia para isso. Não basta o que a China se lembra e quer dar. O futuro não se ganha assim – haja consciência disso.
*Diretor-Geral do PLATAFORMA