A guerra Ucrânia/Rússia no universo sino-lusófono

por Mei Mei Wong
Gonçalo Lopes
Ucrânia Portugal Brasil

São diferentes os cenários desta guerra nos países de língua portuguesa. A grande maioria já se colocou do lado da Ucrânia e criticou a posição assumida por Vladimir Putin, como Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal. Por sua vez, o Brasil, através de Jair Bolsonaro, assumiu uma posição de neutralidade perante este conflito. Se as posições não são todas iguais nos países de língua portuguesa, a verdade é que as consequências desta guerra também não o serão. Toda a guerra tem um potencial destrutivo na economia mundial e esta não é diferente.

O primeiro impacto imediato foi o aumento dos preços do petróleo, tendo o custo do barril de Brent ultrapassado os 100 dólares americanos, algo que acontece pela primeira vez em sete anos. Porém, as trocas comerciais também poderão ser afetadas, embora de maneiras díspares em cada país de língua portuguesa. No Brasil, por exemplo, a queda do dólar dará um maior equilíbrio na balança face ao aumento do preço dos combustíveis.

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Um afastamento da Rússia pode também trazer consequências nefastas, dada a dependência do país face aos fertilizantes russos, como o próprio Presidente admitiu. Já Portugal, mesmo com a subida dos preços do petróleo, a nível económico poderá não ser muito afetado, dado que a nível comercial a Rússia é apenas o 13º fornecedor e o 37º cliente. Já a Ucrânia é o 68º cliente e o 30º fornecedor.

Há outros países, como Angola e Moçambique, que poderão até sair a ganhar com este conflito. De acordo com um estudo recente, a subida de preços do petróleo e gás beneficia as finanças das duas nações. “Ambos têm um nível de comércio muito limitado com a Rússia e a Ucrânia. Angola está a beneficiar dos preços mais altos do petróleo e do gás, que são parcialmente impulsionados pelo conflito. E se os preços do gás se mantiverem elevados, isto será também positivo para os investimentos no gás natural liquefeito de Moçambique”, referiu a Oxford Economics Africa.

PAPEL DA CHINA NO CONFLITO

Os Estados Unidos da América, uma das maiores potências mundiais, revela todos os dias a sua indignação contra a posição da Rússia neste conflito. A China, outra potência, optou por um discurso mais diplomático. Em nenhum momento a China considerou que o que aconteceu na Ucrânia foi uma invasão. As autoridades chinesas emitiram um comunicado onde revelaram que a Rússia “era um país independente” e que poderia “tomar as suas próprias decisões”.

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Mais tarde, e após um contacto telefónico entre Xi Jinping e Vladimir Putin, o Governo chinês apelou ao diálogo entre os dois países. A China optou ainda pela abstenção quanto a uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que condenava a agressão. A verdade é que desde há vários anos que é evidente uma aproximação entre os dois países, sendo que nos últimos dias a China criticou as sanções impostas à Rússia e apontou a expansão da NATO para o leste da Europa como a raiz do problema. Com uma posição de equilíbrio difícil face a este conflito, são várias as ações que colocam a China como fortemente visada nesta guerra do ponto de vista negativo. A última das quais referente ao facto de o Governo de Xi Jinping ter obrigado as redes sociais Weibo e Douyin a eliminar quase 10 mil publicações com conteúdo ofensivo.

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