Duas universidades de Hong Kong retiraram nesta sexta-feira (24) esculturas que recordavam o massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim, um dia depois de a instituição acadêmica mais antiga da cidade ter feito o mesmo.
A ex-colônia britânica, com um regime semiautônomo desde a devolução a China em 1997, era o único local do país que tolerava a recordação da repressão de 1989 contra os estudantes.
Mas após grandes manifestações pró-democracia, incluindo algumas violentas, nesta cidade, as autoridades reprimiram os atos de recordação e os ativistas que organizavam os atos de recordação do massacre executado pelo exército chinês.
Na quinta-feira, a Universidade de Hong Kong (UHK), a mais antiga da cidade, retirou de seu campus o “Pilar da Vergonha”, uma escultura de oito metros de altura com a representação de 50 rostos angustiados e corpos e dilacerados empilhados uns sobre os outros em homenagem aos manifestantes falecidos.
Nesta sexta-feira, a Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK) retirou de seu campus a estátua conhecida como “Deusa da Democracia” de Chen Weiming, uma réplica da escultura gigante que os estudantes ergueram na Praça da Paz Celestial em 1989.
O artista, que mora nos Estados Unidos, acusou a CUHK de atuar como “um ladrão à noite”, aproveitando o fato de que o campus está vazio pelo recesso de Natal.
“É o contrário de ser limpo e honesto. Eles têm medo de serem expostos e o tiro saiu pela culatra na frente de alunos e ex-alunos”, disse Chen Weiming.
Ao mesmo tempo, a Universidade Lingnan de Hong Kong removeu outra escultura que recordava o massacre.
A CUHK alegou que a presença da estátua nunca foi autorizada e a Universidade de Lingnan informou que a obra poderia representar riscos jurídicos e de segurança” para a comunidade universitária.
Pequim e as autoridades locais de Hong Kong tentam remodelar a cidade à imagem do regime autoritário chinês, com repressão da dissidência e a perseguição aos opositores.
Recordar o massacre da Praça da Paz Celestial se tornou algo ilegal e as vigílias com velas que recordavam o fato no dia 4 de junho foram proibidas nos últimos dois anos.