Mulheres padres: "Será quando Deus quiser" - Plataforma Media

Mulheres padres: “Será quando Deus quiser”

D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, está esta semana Em Alta Voz, programa da TSF e do Diário de Notícias. O Bispo admite que a Igreja há muito deveria ter dado mais atenção às denúncias de abusos sexuais, não acredita que o fim do celibato acabe com a crise de vocações, avisa que o Estado nem sempre tem apoiado como devia as instituições da igreja que apoiam os mais desfavorecidos e, sobre a possibilidade de as mulheres virem a ser ordenadas padres, responde: “Será quando Deus quiser.”

Começo pela Comissão Diocesana de Lisboa, que investiga abusos sexuais a menores. Já há resultados concretos da investigação?

Não sei se algum dia vamos chegar a essa resposta. É um trabalho que se faz permanentemente, de criar condições de segurança, de confiança, para que as vítimas se sintam encorajadas a abrir o seu coração a um acontecimento da sua vida doloroso. Vamos imaginar um homem de 40 e poucos anos, porventura casado, com filhos, a quem tenha ocorrido esse momento dramático, doloroso, na sua vida, é preciso ser um herói, é preciso que à sua volta se criem condições de muita confiança para que ele possa abrir o seu coração e partilhar.

Já lhe chegaram casos? Estão a compilar testemunhos?

Não. Desde que foi criada a Comissão de Lisboa, em abril de 2019, que não tivemos comunicação ou denúncia de caso absolutamente nenhum que envolvesse eclesiásticos que é, digamos, a tutela com que esta comissão foi criada. Mas isso não quer dizer que não existam.

Esta criação de uma comissão nacional independente vai permitir ter uma noção mais clara, depois do seu ano de trabalho, da quantidade de casos que, eventualmente, possam ter existido?

Espero que sim. O nosso objetivo e desejo é que, nem que seja um, que possamos corresponder a esse sofrimento, a esse grito de atenção e que possamos acompanhar a pessoa, porventura, ajudá-la naquilo que o Papa dizia que são feridas profundas de difícil cicatrização. E tudo o que pudermos fazer, um que seja, porque não tenho informação nenhuma em especial, nem sei se a cultura do nosso país faz que possamos olhar para a realidade portuguesa de modo diferente da espanhola, da francesa, da australiana, da inglesa, da irlandesa, não faço a mínima ideia. Mas o que eu sei, e daquilo que depende o nosso grupo de trabalho e o espírito das comissões, tivemos uma reunião todos em Fátima, penso que em maio de 2020, e a maioria das comissões são constituídas, não por eclesiásticos, portanto, os eclesiásticos são uma amostra muito residual nas comissões, e o que eu noto é que, da parte desses leigos que se disponibilizaram a ajudar a Igreja neste caminho, é um total empenho, dedicação e até alegria por poderem ajudar como psiquiatras, como pedopsiquiatras, como antigos magistrados, como outras profissões, ajudarem com o seu saber a que possamos estabelecer um caminho que possa criar as condições de confiança nessas pessoas que, porventura, possam ter sido vítimas.

Leia mais em TSF

Assine nossa Newsletter