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Presidente do Perú escapa de impeachment no Congresso

Luis Jaime Cisneros e Francisco Jara

O Congresso do Perú, controlado pela oposição de direita, rejeitou ontem levar adiante o impeachment do presidente de esquerda Pedro Castillo

“Não foi admitida a moção” de vacância, declarou a presidente do Congresso, María del Carmen Alva, depois que o pedido de levar Castillo a julgamento político obteve apenas 46 votos favoráveis no plenário (eram necessários 52 para aprová-la), 76 contrários e quatro abstenções.

Esta foi a quinta moção de julgamento político contra um presidente peruano nos últimos quatro anos e lembra pedido similares que levaram à queda dos presidentes Pedro Pablo Kuczynski, em 2018, e Martín Vizcarra, em 2020.

“O Perú não quer viver mais em crise, o Congresso reagiu de acordo com a realidade terrível que vivem os peruanos, que querem estabilidade e soluções para os problemas que enfrentam” com a pandemia e a situação econômica, declarou à AFP o analista político Hugo Otero, ex-assessor do falecido presidente Alan García.

“Trégua”

Castillo, um professor rural de 52 anos que assumiu o poder há apenas quatro meses, está sob suspeita por um escândalo de suposta ingerência do governo nas promoções militares, o que deu margem ao pedido de impeachment. Por este caso, também foi convocado a depor em 14 de dezembro perante a procuradora nacional, Zoraida Ávalos.

“A única coisa que Pedro Castillo fez foi dinamitar os pilares de nosso Estado”, afirmou a deputada opositora Patricia Chirinos ao apresentar os fundamentos do pedido de impeachment, que não prosperou.

O Congresso votou após um debate áspero de quase duas horas, no qual o opositor moderado José Alberto Arriola, do Acão Popular (centro-direita), pediu aos colegas uma “trégua” para que Castillo pudesse governar.

“A democracia é isso, respeitar os resultados. Desta vez, não chegamos aos votos necessários, seguiremos trabalhando pela governabilidade do país”, declarou o deputado de direita e almirante da reserva Jorge Montoya, um dos promotores da moção de vacância.

A moção foi apresentada há duas semanas por três partidos de direita, incluindo o da ex-candidata presidencial Keiko Fujimori.

Durante a sessão no plenário, o edifício do Parlamento esteve sob forte proteção policial. Do lado de fora, diversos apoiadores e opositores de Castillo se manifestaram.

Assédio e erros

A possível saída de Castillo era mencionada desde sua eleição em junho, denunciada por partidos opositores como uma “fraude”, apesar do aval dos observadores da OEA e da União Europeia.

O presidente convocou nos últimos dias um diálogo com os dirigentes da oposição na tentativa de se salvar do que qualificou como uma moção “sem respaldo e com absoluta irresponsabilidade”. No entanto, Keiko Fujimori e outros líderes da direita se recusaram a falar com ele, embora outros opositores atenderam ao chamado.

O professor rural de 52 anos venceu Fujimori no segundo turno da eleição presidencial em junho. Desde que assumiu o cargo, em 28 de julho, tem sido perseguido pela oposição por seus próprios erros e por divergências em seu partido que causaram a saída de dez ministros. 

O partido que o levou ao poder, Perú Livre, afirmou que seus 37 parlamentares rejeitarão a moção, apesar das divergências com o presidente.

Durante a sessão do Parlamento em Lima, o presidente visitava as regiões sul-andinas de Apurimac e Puno.

A alegada “incapacidade moral” também foi invocada pelo Congresso para se livrar de Kuczynski (direita) e Vizcarra (centro). Ambos os pedidos foram aprovados em uma primeira moção de impeachment, mas não sobreviveram à segunda.

Em novembro de 2020, a destituição de Vizcarra gerou protestos, que foram reprimidos e resultaram em duas mortes e cem feridos. Sua saída levou o Perú a ter três presidentes em cinco dias.

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