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‘Guerra Fria’ China-EUA e invasão da Ucrânia pela Rússia improváveis

Lusa

O presidente da consultora Eurasia Group, Ian Bremmer, afirmou ontem que não existe uma nova Guerra Fria entre os Estados Unidos (EUA) e a China porque as respetivas lideranças estão demasiado focadas nos problemas internos

“O presidente [dos EUA, Joe] Biden acredita que perdeu votos por ser muito brando com a China nas eleições de 2020, e isso restringe em termos de quanto ele está disposto a falar publicamente sobre tentar relacionar-se com os chineses”, afirmou hoje o analista norte-americano numa conferência de imprensa. 

Depois do entendimento entre Washington e Pequim durante a conferência climática COP26, na Escócia, e na coordenação sobre o uso da Reserva Estratégica de Petróleo para tentar travar a instabilidade dos preços da energia, na segunda-feira os EUA anunciaram um boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno na China devido ao desrespeito dos direitos humanos. 

“Não penso que seja um grande problema. O que eu acredito é que a administração Biden está convencida de que a China não está à procura de problemas, pelo menos antes de Xi Jinping conseguir um terceiro mandato em outubro ou novembro [de 2022]”, disse Bremmer, algo que os líderes chineses também pensam de Biden devido à polarização da política norte-americana. 

Na opinião deste analista internacional, esta situação cria “uma oportunidade para os dois países realmente serem um pouco mais funcionais no seu relacionamento, embora não exista confiança”. 

“Mas certamente não estamos a caminhar para uma Guerra Fria. Acho que é principalmente por causa da prioridade no foco doméstico e isso causa restrições em termos de liderança mundial”, justificou, acrescentando ser “exagerado” um potencial conflito militar em Taiwan.

O presidente do Eurasia Group, uma consultora especializada na análise de riscos internacionais, também desvaloriza a possibilidade de uma invasão militar da Rússia na Ucrânia. 

Além das potenciais sanções financeiras da Europa e EUA e da resistência que iria encontrar em províncias ucranianas menos pró-Moscovo do que a Crimeia, Bremmer diz que “não é assim que os russos costumam operar”.

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“Não é uma questão de enviar tanques, geralmente é muito mais guerra assimétrica. Por exemplo, ataques cibernéticos como o ataque NotPetya [em 2017] que causou prejuízos reais à Ucrânia, isso pode acontecer novamente. Estou a ver os russos a dizer que os territórios no sudeste da Ucrânia estão a ser ameaçados, inclusive pela NATO. (…) e eles querem anexar formalmente esses territórios e enviar tropas para defendê-los diretamente. (…) Estou a ver campanhas de desinformação intensificadas dentro da Ucrânia”, exemplificou.

Este tipo de ações, vincou, permite aos russos negar o envolvimento ou estar a criar um conflito, criando dificuldades aos americanos e europeus para justificar uma intervenção. 

“Não espero que Putin invada a Ucrânia. Mas se ele escalar o conflito, o que é absolutamente possível, não penso que ele vai facilitar a resposta dos Estados Unidos, dos europeus e da NATO”, disse o analista.

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