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Otimismo cego

Guilherme RegoGuilherme Rego*

“A verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, mas escapar das antigas.” A frase foi proferida por John Maynard Keynes, um economista britânico do século XIX, cujas ideias mudaram fundamentalmente as políticas económicas instituídas pelos governos.

Uma frase que se adequa à situação atual de Macau, que terá um Orçamento para 2022 idêntico ao estimado para o ano corrente – que acaba de sofrer a terceira alteração, tendo um fosso entre a previsão de receitas brutas do jogo e as consumadas de 44 mil milhões de patacas. A estimativa anual esbarrava nas 130 mil milhões de patacas, mas, por motivos pandémicos, desce agora inevitavelmente para 86 mil milhões.

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O próprio Governo admitiu que, para o que resta do ano, “as perspetivas para as receitas públicas sejam difíceis de ser otimistas.” No entanto, parece que o próximo ano será diferente – como se esperava que este que finda fosse -, pois a estimativa anual de receitas é exatamente a mesma. Pinta-se um quadro novamente otimista. Mas a tela é a mesma, e a paisagem não muda.

Numa cidade que já assegurou continuar com a política de casos zero para o ano, a confiança de que não irá haver novo revés é, sem dúvida, preocupante. Diria até que a projeção parte do pressuposto que a pandemia não mais voltará a assolar o Território, o que é complicado. Mais ainda será controlar o vírus no Continente, que tem a mesma política de intolerância à Covid-19 e é o único mercado que permite aos alicerces económicos de Macau resistirem.

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Como o economista Albano Martins disse ao Ponto Final, existe “alguma falta de bom senso” nesta previsão e, de facto, “podia-se estimar por baixo o primeiro semestre e depois ser-se um pouco mais otimista para o segundo.”

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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