"Se em Cuba faltam comida e medicamentos, não é por causa dos EUA"

“Se em Cuba faltam comida e medicamentos, não é por causa do bloqueio americano”

Guillermo Fariñas, li numa notícia que esteve detido algum tempo há dias, esteve em parte incerta. O que é que aconteceu?

Bem, o problema é que eu estou de cama, em repouso, há mais de um mês e tive febre e inflamação no rim direito, inflamação no apêndice. Os exames mostraram que tenho uma bactéria no rim. E os antibióticos que se conseguem dentro de Cuba, não são o que realmente neutraliza esta bactéria. Estou à espera de medicamentos que um exilado cubano ficou de me mandar. E a minha mãe, por outro lado, que tem 86 anos, partiu a perna, há um mês que não nos víamos, embora vivamos relativamente próximos, a uns 15 ou 20 metros.

Ela queria vir ver-me de qualquer maneira e eu dizia-lhe para se deixar estar que eu a ia ver. A comunicação telefónica estava a ser escutada pela Segurança do Estado. Quando saí de casa com a ajuda da minha irmã, fui detido. Quando estávamos à frente da casa da minha mãe, uma viatura da Polícia Nacional Revolucionária e da unidade antimotim parou, pediram-me que os acompanhasse, começaram a debater, a discutir. Eu disse que estava doente, mas tudo bem, não tenho nenhum tipo de medo, por isso vamos, subi para o carro. Levaram-me para a Unidade Provincial de Investigação Criminal e Operações. Fiquei lá cerca de 45 minutos, uma hora. É verdade que me levaram para ver um médico e uma enfermeira no posto médico. Porque eu tenho muitas dores, principalmente quando fico em pé, o meu rim direito dói muito, está inflamado. A médica olhou para mim e disse que sim, são os sintomas clássicos da doença com essa bactéria e fizeram-me voltar ao cubículo número sete, que é normalmente onde me colocam quando me prendem.

Depois levaram-me para outra esquadra, que não sei bem onde fica, porque me pedem para baixar a cabeça num carro que tem todas as janelas com vidros escuros. Não se pode ver bem onde estamos. E lá fomos, foi aí que tivemos a… eu não lhe chamaria conversa, mas sim interrogatório. Os interrogatórios têm uma modalidade de conversação, mas foi, na verdade, um interrogatório. Disseram que me podiam resolver a situação de saúde, que me podiam pôr a soro num hospital, eu disse não, que o fazia em casa da minha mãe. Eles queriam saber se ia sair à rua em protesto, porque me tinha mostrado solidário com os meus compatriotas que estão a ser reprimidos com vista à manifestação do dia 15 e eu fiz um apelo para monitorarmos e relatarmos o que acontece antes, durante e depois do dia 15. Eles também me disseram que a nossa estrutura, o FANTUFórum Anti-totalitário Unido, estava a dar indicações que íamos sair à rua em protesto. Eu disse-lhes que o FANTU não é um organismo público, é autónomo, e não tenho tido tempo devido à questão de saúde, para me reunir com a direção, o que pode ter gerado boatos. E aí também me lembraram, daí a ameaça implícita, que na última sessão plenária do Comité Central do partido, foi dito claramente que não havia tolerância de qualquer espécie. Isso foi o essencial do interrogatório e depois fizeram-me regressar a casa.

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