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Proposta de Irão para fim do conflito não convence Washington

A nova proposta do Irão aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz e pôr fim à guerra de dois meses, adiando as negociações nucleares para uma fase posterior, não produziu avanços no impasse diplomático entre os dois países, num contexto de crescentes apelos internacionais à desescalada

Xinhua

A proposta, transmitida através de mediadores paquistaneses, adia a discussão do programa nuclear iraniano até ao fim do conflito com os Estados Unidos e Israel e à resolução do bloqueio ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, segundo relatos da imprensa norte-americana e fontes oficiais. A iniciativa representa a mais recente tentativa de Teerão de ultrapassar um bloqueio diplomático que persiste apesar de um cessar-fogo frágil alcançado no início do mês.

A proposta pretende contornar divergências internas na liderança iraniana quanto à extensão das concessões nucleares, de acordo com o portal norte-americano Axios. No entanto, a proposta recebeu uma resposta cautelosa por parte de Washington.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiu a proposta com a sua equipa de segurança nacional na segunda-feira (27), confirmou a Casa Branca. Trump manifestou desagrado com a proposta de adiar a questão nuclear, que Washington considera essencial desde o início das negociações, segundo uma fonte citada pela Reuters.

Os Estados Unidos têm exigido repetidamente que o Irão abandone as suas reservas de urânio enriquecido e suspenda o enriquecimento como parte de qualquer acordo mais amplo. A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que os Estados Unidos “não negociarão através da imprensa” e que o Presidente deixou claras as suas “linhas vermelhas” a Teerão e ao público norte-americano.

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A nova iniciativa diplomática surge num contexto em que o conflito alterou significativamente o panorama de segurança regional e perturbou os fornecimentos globais de energia.

A 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques conjuntos contra Teerão e outras cidades iranianas, provocando a morte do então líder supremo do Irão, Ali Khamenei, bem como de comandantes militares e civis. O Irão respondeu com ataques com mísseis e drones contra Israel e interesses norte-americanos no Médio Oriente, além de reforçar o controlo sobre o Estreito de Ormuz.

Um cessar-fogo foi alcançado entre as partes a 8 de abril, seguido de negociações prolongadas entre delegações iranianas e norte-americanas em Islamabad, no Paquistão, que não resultaram em acordo. Posteriormente, os Estados Unidos impuseram o seu próprio bloqueio à via marítima.

Pelo menos seis navios-tanque carregados com petróleo iraniano foram obrigados a regressar ao Irão devido ao bloqueio norte-americano nos últimos dias, segundo dados citados pela Reuters. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão condenou as apreensões como “legalização da pirataria e roubo armado em alto-mar”.

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Estava prevista uma nova ronda de negociações no Paquistão na semana passada, mas não se concretizou depois de Trump ter afirmado que os Estados Unidos deixariam de enviar delegações, acrescentando que, caso o Irão quisesse negociar, deveria tomar a iniciativa.

O Irão também não participou nas negociações, apontando o bloqueio naval dos Estados Unidos e exigências consideradas excessivas como principais razões. O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a pressão e as ações hostis dos Estados Unidos estão a comprometer a confiança e a dificultar o progresso nas negociações, segundo um comunicado divulgado no domingo.

O responsável acrescentou que não é possível avançar com negociações enquanto Washington aumenta a pressão, considerando que essas ações “prejudicam o ambiente necessário” à diplomacia. O impasse diplomático tem gerado crescente preocupação na comunidade internacional.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou na segunda-feira à reabertura do Estreito de Ormuz durante um debate do Conselho de Segurança da ONU sobre segurança marítima. “Os direitos e liberdades de navegação no Estreito de Ormuz devem ser respeitados (…) Estes princípios devem ser plenamente aplicados, sem demora”, afirmou.

“Apelo às partes: reabram o estreito, deixem os navios passar, sem taxas nem discriminação, permitam a retoma do comércio e da economia global”, acrescentou.

Durante um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Seyed Abbas Araghchi, em São Petersburgo, o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscovo pretende continuar a desenvolver relações estratégicas com o Irão e está disponível para contribuir para a paz no Médio Oriente.

Araghchi atribuiu o lento progresso diplomático ao que classificou como “práticas destrutivas” de Washington, incluindo “exigências consideradas irrazoáveis, mudanças frequentes de posição e incumprimento de compromissos”. Com divergências persistentes entre os Estados Unidos e o Irão em pontos centrais, as perspetivas de um acordo abrangente permanecem incertas, apesar dos apelos internacionais à redução das tensões.

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