Facebook acaba com o seu sistema de reconhecimento facial

Facebook acaba com o seu sistema de reconhecimento facial

O Facebook deixará de usar seu sistema de reconhecimento facial, em resposta às preocupações sobre a privacidade do usuário, anunciou hoje a casa-mãe, Meta

O anúncio ocorre no momento em que o Facebook luta contra uma grande crise após o vazamento na imprensa nos Estados Unidos de documentos afirmando que seus executivos sabiam que a plataforma poderia causar danos, principalmente a menores.

A crise levou a novos apelos de legisladores e autoridades para promover a regulamentação governamental da rede social.

A decisão põe fim a um recurso que identifica automaticamente as pessoas que aparecem nas fotos dos usuários, fundamental para a empresa construir uma biblioteca global de rostos em expansão.

“Essa modificação representará uma das maiores mudanças no uso do reconhecimento facial na história da tecnologia”, escreveu Jerome Pesenti, vice-presidente de inteligência artificial da Meta.

“Há muitas preocupações sobre o lugar que a tecnologia de reconhecimento facial ocupa na sociedade e os reguladores ainda estão no processo de fornecer um conjunto claro de regras para regirem seu uso”, acrescentou em um comunicado.

A mudança “resultará no cancelamento de mais de um bilhão de perfis individuais de reconhecimento facial”, afirmou no texto, acrescentando que a desconexão do sistema ocorrerá nas próximas semanas.

Os defensores da privacidade receberam bem a notícia, embora alguns estivessem céticos de que seja apenas um esforço para ganhar pontos em meio a recentes desastres de relações públicas.

“Eu recebo comentários igualmente divididos entre pessoas que pensam que a decisão do Facebook de parar de usar seu sistema de reconhecimento facial e remover impressões faciais é uma grande coisa e aqueles que acreditam que é uma tentativa desesperada de obter manchetes positivas e que não muda nada substancialmente”, tuitou Eva Galperin, diretora de segurança cibernética da Watchdog Electronic Frontier Foundation.

Preocupações sobre privacidade

A identificação facial, lançada em 2010, passou por mudanças para reforçar a privacidade, o que não impediu, no entanto, um significativo processo que obrigou o Facebook a concordar com o desembolso de 650 milhões de dólares em 2020, depois que a justiça alegou que havia coletado ilegalmente informações biométricas para “marcar rostos”, em violação a uma lei de privacidade de Illinois de 2008.

Foi um dos acordos mais substanciais para um caso de privacidade nos Estados Unidos, superado apenas pelos US$ 5 bilhões que o Facebook concordou em pagar à Comissão Federal de Comércio por suas práticas de gerenciamento de dados. Ambos aguardam homologação judicial.

Várias cidades americanas, incluindo San Francisco, proibiram o uso de tecnologia de reconhecimento facial. Existe a preocupação com a criação de grandes bancos de dados com a possibilidade de erros na identificação de algumas pessoas.

Diante da pressão da mídia e de organizações nos Estados Unidos, gigantes da tecnologia como Amazon, Microsoft, IBM e Google pararam, pelo menos temporariamente, de vender software de reconhecimento facial para as autoridades.

“O reconhecimento facial é uma das tecnologias mais perigosas e politicamente tóxicas já criadas. Até o Facebook sabe disso”, disse Caitlin Seeley George, chefe do grupo de defesa digital Luta pelo Futuro.

O Facebook acabou de mudar o nome de sua empresa matriz para “Meta”, em um esforço para chamar a atenção para sua visão da realidade virtual para o futuro, tentando mudar o foco sobre os diversos escândalos em que está envolvido.

Facebook, Instagram e WhatsApp, que são usados por bilhões de pessoas no mundo, manterão seus nomes.

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