EUA deixarão de se concentrar apenas em ajuda militar à América Latina -

EUA deixarão de se concentrar apenas em ajuda militar à América Latina

O governo dos Estados Unidos se concentrou muito em reforçar a segurança em detrimento de outras ajudas na América Latina, afirmará nesta quarta-feira (20) o secretário de Estado, Antony Blinken, que anunciou o compromisso da Casa Branca de estimular a democracia na região. 

Blinken faz uma visita a Equador e Colômbia, no momento em que o presidente americano, Joe Biden, busca defender as democracias estáveis, enquanto o autoritarismo e o populismo avançam pela América Latina. 

Os dois países recebem apoio na área de segurança por parte de Washington e são presididos por conservadores, conhecidos pela adoção de medidas polêmicas. As forças colombianas mataram este ano dezenas de manifestantes contrários ao governo e o Equador anunciou na terça-feira o estado de emergência, pouco antes da visita de Blinken.

“Nosso histórico de melhorar a segurança civil nas democracias da região tem sido desigual”, vai afirmar Blinken em um discurso nesta quarta-feira em Quito, de acordo com trechos divulgados de maneira antecipada. 

“Isto se deve a que, com muitas frequência, tentamos solucionar este problema confiando em demasia na formação e equipamentos das forças de segurança, e muito pouco em outras ferramentas”.

“Nos concentramos muito em abordar os sintomas do crime organizado, como os homicídios e o tráfico de drogas, e muito pouco nas causas profundas. Estamos trabalhando para corrigir este desequilíbrio”.

Em seu discurso, Blinken destaca um maior esforço do governo Biden no combate à corrupção na região, por exemplo, com a rejeição de vistos para funcionários envolvidos em suborno.

O governo dos Estados Unidos, junto com seus pedidos frequentes por eleições, também vai ficar mais atento à situação econômica do continente e em legislações melhores para o trabalho, saúde e educação, anunciará o secretário de Estado. 

“Isto deveria ser óbvio, mas a realidade é que com frequência empregamos mais energia para fortalecer os direitos civis e políticos – como eleições livres e justas, o Estado de direito, a liberdade de expressão e de reunião – que em fortalecer os direitos econômicos e sociais das pessoas”. 

– Desafio da China –

O governo Biden, como já havia feito o antecessor, o republicano Donald Trump, aumentou a pressão sobre as autoridades de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Os questionamentos à democracia crescem no Brasil, onde o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro segue o discurso de Trump ao divulgar dúvidas sobre a legitimidade das eleições programadas para outubro de 2022.

“Estamos em um momento de acerto de contas democrático”, vai afirmar Blinken.

Enquanto a democracia nas últimas décadas trouxe uma “prosperidade sem precedentes” à América Latina, o futuro depende de se os líderes eleitos podem “cumprir com as questões que mais importam para as pessoas.”

O apelo por um destaque à economia acontece no momento em que a China aumenta os empréstimos para infraestruturas na América Latina, o que preocupa Washington, que vê o risco de que a crescente presença de Pequim na região leve a um aumento do autoritarismo a longo prazo.

No Equador, que recebeu bilhões de dólares em empréstimos chineses para financiar projetos de energia ou petróleo, Blinken afirmará que não está pedindo aos países que “escolham entre Estados Unidos e China”, mas sim um maior escrutínio sobre os investimentos de Pequim em áreas sensíveis.

Embora muito menor que os empréstimos chineses, o governo dos Estados Unidos anunciou recentemente a concessão de 150 milhões de dólares em empréstimos para pequenas empresas equatorianas dirigidas por mulheres.

– Preocupação com os direitos –

Blinken viajará ainda na quarta-feira para a Colômbia, onde se reunirão com o presidente do país, Iván Duque, que era um fiel aliado de Trump. 

Biden expressou apoio sem reservas a Duque, mas ainda não se encontrou com ele. 

Em uma carta a Blinken, a Human Rights Watch afirma que Duque liderou uma brutalidade policial “sem precedentes na história recente da Colômbia”, em referência à violenta repressão aos protestos contra uma reforma tributária.

“Uma resposta forte por parte do governo Biden poderia nos ajudar a prevenir mais violações dos direitos humanos”, escreveu o diretor da ONG para as Américas, José Miguel Vicanco. 

Duque respondeu que a Colômbia vive uma paz frágil desde os acordos de paz assinados em 2016 entre o governo e as Farc e que busca “trabalhar efetivamente” com os Estados Unidos. 

Em uma tentativa de ampliar a aliança com Washington, Duque deve abordar com Blinken dois temas que são prioridades de Biden: mudança climática e migração. 

O secretário de Estado se reunirá em Bogotá com ministros da região para elaborar um plano comum e abordar o aumento do fluxo de migrantes haitianos que tentam entrar nos Estados Unidos.  

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