Trabalhar o futuro - Plataforma Media

Trabalhar o futuro

Macau enfrenta problemas estruturais na organização do trabalho. A crise nas empresas, provocada pela pandemia, torna ainda mais urgente colmatar lacunas na regulação dos contratos a tempo parcial – que abordamos nesta edição – mas também uma maior integração dos não-residentes. É crucial desenvolver uma atitude política que transforme a cidade num local mais atraente para a massa crítica local, chinesa e estrangeira, venha ela da Grande Baía, Portugal ou Estados Unidos. Esse ADN da RAEM tem de moldar o futuro. 

O mercado local é limitado. Mas o seu desígnio de integração na Grande Baía, bem como a missão de fazer pontes para a Lusofonia, abrem horizontes para os quais não estamos preparados. Nem sequer conscientes e convencidos, quanto mais enquadrados do ponto de vista legislativo, empresarial ou educacional. É preciso restruturar o ensino – do primário ao universitário – focando-o no multilinguismo e no multilateralismo, independentemente do amor à Pátria, que pode ser incluído, mas não inquina os currículos.  

As cidades que se afirmam como pontes regionais e internacionais, como Hong Kong, Singapura ou Kuala Lumpur, têm uma cultura de exigência no Estado e nas empresas que Macau está longe de integrar; e uma ambição intercultural e de comunicação externa que parece recuar em Macau – em vez de se desenvolver.  

A exceção deu-se na indústria do jogo, onde a liberalização, com investimento chinês e americano … trouxe circunstâncias novas e exigentes nos métodos de gestão, relações laborais, marketing global e atração de mão-de-obra.  

Mas tudo funcionou em bolha, com regras de exceção pouco porosas. Nem tudo faz sentido nos casinos. Mas o que não faz sentido é Macau pensar que o futuro se faz com a letargia do passado. O mundo do trabalho tem de se adaptar, para proteger todos os interesses em causa, mas sobretudo para criar condições de competência e ambição, potenciando o crescimento das pessoas, das empresas e da cidade em geral. 

*Diretor-geral do PLATAFORMA

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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