
O neurologista português António Damásio, cérebro da modernidade, expôs o “Erro de Descartes”, que na altura desconhecia o papel das sinapses no ato de pensar – intuído como prova de existência. Ou seja, a descoberta de que “penso, e sinto, logo existo”, desafia os limites da pura intuição: “penso, logo existo”. Evolução essa, que não legitima o salto negligente – ou negacionista – para o “sinto, logo existo sem pensar”, que se espalha como vírus digital pós-moderno, negando a razão, a ciência – até a ética e o bom senso – para espalhar o caos. Não se sabe bem para quê, mas certamente para servir interesses que não servem a consciência individual nem o bem comum.
A última falácia do medo negacionista é a de que as vacinas contra a Covid-19 esconderiam na sua composição grafeno – forma cristalina de carbono – numa maquinação diabólica montada para promover a metamorfose do ser humano. Ou seja, criando mutantes; sabe-se lá por que estratégia terrestre ou alienígena.
A verdade dos factos diz-nos que todas as análises provam que isso é mentira. Primeiro, nem sequer há grafeno nas vacinas; depois, mesmo se houvesse, a ideia de que isso mutaria o corpo e a alma do ser humano não passa de puro delírio.
O debate sobre a segurança das vacinas – salutar e necessário – tem de incluir os dados que comprovam, até ver, que não há malefícios colaterais graves. Mais importante ainda: um estudo recente do Instituto Ricardo Jorge mostra que em Portugal, onde mais de 80% da população que factos diz-nosque estranho seja, – desde ento da populaçrmasse numa verdade da exist já está vacinada, apenas 0,3% do universo vacinado volta a contrair o vírus; prova irrefutável da eficácia das vacinas para a saúde individual e a imunidade de grupo.
Em Macau, como em todo o mundo, a vacina é voluntária – e bem. Mas é com estes dados – e não com delírios – que tem de ser pensada. E a decisão de cada um, sentida como um direito, deve ser tomada pensando-se na sua saúde individual e familiar, mas também no bem comum.
Insisto: pense-se o que se pensar, a baixíssima taxa de vacinação em Macau não faz sentido – desde que se sinta que pensar vale a pena.
*Diretor-geral do PLATAFORMA