Senador afirma que primeiro passo da comissão é convocar técnicos e TCU, PF e Ministério Público para auxiliar trabalhos.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), favorito para ser o relator da CPI da Covid, disse à Folha nesta sexta-feira (16) que o governo Jair Bolsonaro faz uma “pressão desumana” para influenciar a comissão e evitar que o emedebista seja o responsável por elaborar o documento final da investigação.
“O governo continua numa pressão desumana para influir nos destinos da CPI. Hoje, fui informado que eles pressionaram o líder do PSD para substituir os dois nomes na comissão. Substituir o nome do Otto Alencar e do próprio Omar Aziz“, afirmou.
Nesta sexta, senadores independentes e de oposição, que são maioria no grupo de 11 membros da comissão, fecharam acordo para eleger Omar Aziz (PSD-AM) o presidente da CPI e Renan, o relator.
O Palácio do Planalto, porém, reagiu e tentou inicialmente emplacar Marcos Rogério (DEM-RO) no lugar do emedebista.
O MDB, que tem a maior bancada do Senado, avisou que não abriria mão da função. Então o governo, de acordo com Renan, mudou a estratégia: tentou convencer o PSD a indicar para o colegiado senadores mais atrelados a Bolsonaro —o que influenciaria a escolha dos postos-chaves da comissão.
O presidente da CPI é eleito pela maioria dos membros e, em seguida, designa quem será o relator. Embora seja uma decisão livre, tradicionalmente a escolha do relator respeita um acordo pré-estabelecido entre os 11 titulares.
Se Aziz atendesse ao governo e decidisse indicar alguém que não fosse Renan, contrariando a maioria dos membros da CPI, sua própria presidência ficaria em xeque e ele perderia os votos dos integrantes do colegiado.
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