Pandemia atrasa uma geração no progresso na igualdade de género

Pandemia atrasa uma geração no progresso na igualdade de género

A crise da saúde atrasou em mais de uma geração o tempo necessário para alcançar a paridade entre mulheres e homens, de acordo com o estudo anual do Fórum Econômico Mundial (FEM), publicado nesta quarta-feira (terça, 30, no Brasil).

O relatório mostra fortes disparidades entre países, mas ainda seriam necessários 135,6 anos para que uma igualdade absoluta em nível global fosse atingida.

Agora, foram adicionados mais 36 anos para corrigir a discrepância, em termos econômicos, políticos, de saúde e educação, destaca esse estudo anual sobre a desigualdade de gênero no mundo, em sua décima quinta edição.

“A pandemia teve um impacto essencial na igualdade de gênero, tanto no local de trabalho quanto em casa, atrasando anos de progresso”, afirmou Saadia Zahidi, integrante do comitê executivo do Fórum Econômico Global, citada no comunicado de imprensa anexado ao estudo.

As repercussões da crise sanitária têm sido mais graves entre as mulheres, maioria entre os que ficaram desempregados, em parte devido à sua sobrerrepresentação nos setores ligados ao consumo, mais diretamente afetados pelas medidas de confinamento.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as perdas de empregos entre as mulheres chegaram a 5% em 2020, contra 3,9% entre os homens, cita o estudo.

A crise sanitária também dobrou o fardo das mulheres entre o trabalho e as responsabilidades domésticas; e as tarefas domésticas e o cuidado com as crianças e os idosos “recaem de forma desproporcional” sobre elas.

O abismo político aumenta

A taxa de contratação de mulheres também é mais lenta à medida que o mercado de trabalho se recupera e suas chances de serem contratadas para cargos de chefia são menores, segundo o estudo, que mostra um retrocesso de um a dois anos em relação aos avanços obtidos até agora.

No entanto, a lacuna tem se ampliado ainda mais a nível político, de acordo com este índice que é medido anualmente desde 2006. Embora haja uma melhoria em mais de 50% dos 156 países analisados, as mulheres ocupam apenas 26,1% dos assentos parlamentares e 22,6% dos cargos ministeriais em todo o mundo.

Se a trajetória atual continuar, a desigualdade de gênero na política levaria 145,5 anos para ser eliminada, em comparação aos 95 anos calculados na edição anterior do relatório, que data do final de 2019.

A publicação desta 15ª edição foi adiada devido à crise de saúde, e os autores do estudo indicam que os dados coletados para 2021 ainda não refletem totalmente o impacto da pandemia da covid-19 sobre as mulheres.

Pelo décimo segundo ano consecutivo, a Islândia se manteve no topo da classificação, considerada o país mais igualitário do mundo, seguida pela Finlândia, Noruega, Nova Zelândia e Suécia. O Brasil caiu uma posição em 2021 e agora é o 93º entre 156 países.

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