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América Latina tenta conter onda de Covid

AFP

A América Latina continua fortalecendo as medidas de saúde para conter uma onda brutal de covid-19 que atinge principalmente o Brasil, onde nesta sexta-feira (26) novas esperanças surgiram com os anúncios de dois projetos nacionais de vacinas

O coronavírus, que acumula uma cifra superior a 24 milhões de casos e mais de 757 mil óbitos na América Latina e no Caribe, continua avançando na região, preocupada com o aumento da incidência da variante brasileira, considerada muito mais contagiosa do que a cepa original.

No Brasil, mais de 300.000 mortes já foram registradas e a pandemia segue em escalada. Para tentar contê-la, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou que o prestigioso Instituto Butantan (que já fabrica a chinesa CoronaVac por convênio) está desenvolvendo a primeira vacina local, batizada de ButanVac, com expectativa de produzir 40 milhões de doses a partir de maio e começar a aplicá-la em julho.

Mas primeiro deve obter autorização da Anvisa para iniciar seus testes clínicos em abril. 

Um projeto que surgiu há quinze dias com investimentos do governo federal também aguarda o sinal verde para os testes, conforme anunciado pelo Ministério da Ciência. É o Versamune®-CoV-2FC, desenvolvido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. 

Na quinta-feira, as infecções no país subiram pela primeira vez para mais de 100.000 em 24 horas, levando a um número ainda maior de mortes no terceiro país mais em luto, depois dos Estados Unidos.

E nesta sexta, o país registrou um novo recorde de óbitos, com 3.650 mortes em 24 horas, superando as 307 mil no total.  

Diante dessa situação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou o “maior genocídio” da história do país e criticou duramente Bolsonaro. 

“Se tivesse um pouco de grandeza, deveria pedir desculpas às famílias dos 300 mil mortos pelo coronavírus e aos milhões de infectados”, disse Lula a um semanário alemão. 

Consultado sobre essas declarações, Michael Ryan, diretor de emergência da OMS, disse: “Independentemente da perspectiva ideológica, a maioria dos líderes está tentando fazer o que é melhor para seu povo. Eles nem sempre fazem isso perfeitamente”.

Restrições endurecidas

Apesar do otimismo com as vacinas, a realidade da pandemia tem levado autoridades de vários países da região a impor novas medidas para reduzir a circulação do vírus, assim como na Europa.

O Chile, que lidera o processo de vacinação contra a covid na América Latina, confinará mais de 80% de seus 17 milhões de habitantes a partir de sábado. 

“É importante que a população entenda que vivemos uma situação preocupante”, disse o ministro da Saúde, Enrique Paris, em entrevista coletiva na quinta-feira. 

O Chile registrou nesta sexta a maior cifra diária de contágios desde o início da pandemia, com um recorde de 7.626 novos casos.

A rede integrada de saúde chilena está com 95% de ocupação nas unidades de terapia intensiva.

Na Argentina, o número mais recente de infecções diárias subiu para quase 13 mil nesta sexta-feira, a maior marca desde janeiro. Com isso, acumulou 2,29 milhões de infecções e 55.235 mortes desde o início da crise. 

Na quinta-feira, o governo anunciou a suspensão dos voos regulares para o Chile, Brasil e México a partir de sábado, enquanto as fronteiras estão fechadas aos turistas. 

As infecções também estão aumentando em países como Uruguai, Venezuela, Peru e Paraguai, que atribuem a atual onda da pandemia à agressividade da variante brasileira (P1).

Enquanto isso, a Guatemala decidiu nesta sexta-feira limitar o acesso a pontos turísticos, prevendo um aumento de circulação devido à Semana Santa e diante da saturação dos hospitais por causa da pandemia.

O Ministério da Saúde estabeleceu que o “acesso às praias, lagos, rios, centros turísticos e parques aquáticos em nível nacional” será limitado “a não mais de cem pessoas”.

“Polémica na Europa”

A produção, a distribuição e o acesso às vacinas continuam sendo motivo de tensão ao redor do mundo.

Cerca de 180 países da ONU assinaram nesta sexta uma declaração na qual se comprometem a promover o acesso igualitário às vacinas.

No texto, manifestam sua preocupação com as desigualdades na distribuição “tanto em países quanto dentro dos países”.

Neste sentido, a OMS pediu à comunidade internacional que doe “imediatamente” 10 milhões de doses para assistir, mediante o mecanismo Covax, 20 países que não têm acesso a imunizantes, segundo o diretor-geral da organização sanitária da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Muitos países podem dar doses, alterando um pouco seus planos de vacinação”, afirmou.

Na Europa, Bruxelas e o Reino Unido se envolveram em uma polêmica sobre o acesso às vacinas do laboratório anglo-sueco AstraZeneca.

Depois que a União Europeia (UE), que enfrenta problemas de abastecimento, se mostrar disposta a bloquear as exportações de doses da AstraZeneca para fora do bloco, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou nesta sexta uma fábrica para a produção dessa vacina na Holanda. 

Assim, aumentará para quatro o número de fábricas autorizadas a produzir a substância ativa da vacina AstraZeneca, disse a EMA.

A UE exportou cerca de 21 milhões de doses, entre todas as vacinas produzidas no seu território, para o Reino Unido, mas não recebeu nenhuma das produzidas do outro lado do Canal da Mancha, apesar de o contrato com a AstraZeneca prever a entrega de vacinas de duas fábricas britânicas.

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