(I)mobilidade - Plataforma Media

(I)mobilidade

A polémica reestruturação da Transportadora Aérea Portuguesa, companhia de bandeira que voa entre a economia e a ideologia, expõe muitas das velhas contradições que agoniam na nova economia. Projeta-se a ideia de que tudo se pode mover, mesmo que tudo continue parado. Muitos são os milhões que se perderiam, se a companhia falisse; muitos outros se vão perder, para tentar salvá-la… Milhares e milhares de empregos tentam salvar-se, neste e noutros casos concretos, perdendo-se todos os dias margem para salvar todos os outros.

A crise é global: geracional e multissetorial. Não é portuguesa, americana ou chinesa… não é nossa, vossa, ou de quem a queira passar. Há muito se anuncia o drama da morte dos empregos de baixa produtividade, rendidos pelas novas tecnologias e pela robotização dos setores primário e secundário – matam inapelavelmente o perfil laboral da velha economia. Mas a pandemia acelera a História, trucida tudo aquilo que não sabe resistir nem reciclar-se.

A sustentabilidade, a migração digital, a responsabilidade social… anunciam um futuro ao qual muita gente chega tarde – se é que ainda lá vai. Quem cheira a luz ao fundo do túnel move montanhas contra a paralisia, mas rema ainda contra a maré. Há que esperar pelos dias que se movem; mas é ainda muito lento o andar.

Palavra-chave: negativa. O crescimento é negativo; a dinâmica é negativa, a esperança é negativa… O ritmo a que anda a imunidade de grupo é mesmo muito negativo.

Os aviões querem voar, a economia quer voltar a rolar, a vida pede que a deixem recuperar. Mas este é ainda o tempo de ter paciência,  aquele em que o “I “ precede a mobilidade.

Muita coisa vai ainda piorar, antes que possa melhorar. Haja essa consciência, mas sobretudo a arte de manter a força, enquanto se aprende a ter paciência.

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