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ONG lança radionovela para travar recrutamento de jovens por grupos armados em Cabo Delgado

A ONG moçambicana Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC) lançou uma radionovela que visa travar o recrutamento de jovens por grupos insurgentes que têm protagonizado ataques armados na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Denominada “Não Vale à Pena: Stop Violência Extremista”, a radionovela incentiva os jovens, principalmente os da zona norte de Moçambique, a criar iniciativas para o autossustento, para evitar que “se aliem aos terroristas”, considerando que a condição de vulnerabilidade os torna “alvos fáceis para os insurgentes”.

“É necessário criar uma forma mais atrativa de prevenir e conter a violência extremista. Os jovens, como já estão vulneráveis, veem na insurgência uma forma de ter salário, mesmo que não concordem com as ideologias. Eles veem aquilo como única saída”, disse à Lusa Maria Rosária, uma das responsáveis do projeto no MASC.

A radionovela conta a história de dois jovens que saíram da sua vila atrás de melhores condições de vida, mas foram capturados pelos insurgentes.

“Eles têm um final feliz, mas durante o desenrolar da história acontecem várias coisas que mostram que não vale a pena juntar-se aos insurgentes”, explicou Maria Rosária.

Para melhor difundir a mensagem, cujo principal grupo-alvo são os jovens do norte do país, o MASC pretende traduzir a radionovela para as línguas locais, estando já a traduzir para o macua, uma língua muito falada naquela região.

“Queremos criar também sessões de escuta nas comunidades”, acrescentou.

A radionovela, já lançada em Maputo, é transmitida às segundas, terças, quintas e sextas-feiras, através da Rádio Moçambique e nas plataformas de Internet da fundação, pretendendo-se também divulgar através de rádios comunitárias e emissores provinciais.

“O grande lançamento vai ser no próximo ano, nas línguas locais, mas achamos que é importante também disseminar [a radionovela] aqui na zona sul porque muitos não têm noção do que está a acontecer”, concluiu.

A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.

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